Cantor e compositor baiano traz de volta a SP o show 'Zii e Zie' e fala sobre Brasil, violência, eleições...
Sonia Racy, de O Estado de S. Paulo
RIO - À exceção de alguns momentos mais incisivos, Caetano Veloso deixou claro, na entrevista ao Estado, semana passada, na sede da Natasha Produções, no Rio, que a maturidade lhe subiu à cabeça. Uma boa sabedoria emerge, fácil, da sua tranquilidade interior. O posicionamento rebelde do início da carreira, que às vezes assumia as cores da esquerda, deu lugar, hoje, a um discurso racional, realista. Que nada tem, no entanto, das desilusões de quem perdeu a esperança - e isso transparece, com força, quando anuncia sua opção pela candidatura de Marina Silva. "Não posso deixar de votar nela. É por demais forte, simbolicamente, para eu não me abalar. Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem."
Sobre as mudanças propostas na Lei Rouanet, Caetano se esquiva: " Eu sou daquelas moças... não estudei direito", diz o artista que, na era da tecnologia, não usa sequer o celular, não gosta do Twitter, mas se comunica sempre por e-mail.
E cadê as novas pessoas com a força do talento de um Caetano, um Gil ou Chico? O mundo hoje é de gente pré-fabricada pelo marketing e meios de comunicação? Nada disso. Para Caetano, houve uma mudança tecnológica imensa e também desdobramentos históricos. "Fico me perguntando: aqueles pintores que ficaram famosos, foram mais sagazes em seduzir príncipes ou reis, ou eram mesmo os mais talentosos? Ou foram os que combinaram melhor as duas coisas? Ou os que tiveram a sorte de encontrar um príncipe que gostou deles? A diferença hoje passa por outros canais." E isso é bom ou é ruim? "Nem bom nem ruim, é o que é."
Caetano volta a São Paulo amanhã - por três dias - para seu show Zii e Zie, no Citibank Hall. Que depois, em 2010, transformará em turnê internacional: março pela América Latina, abril nos EUA, julho Europa e talvez Austrália e Ásia em setembro. Só ao final dele é que pensará no futuro de seu futuro. Aqui. trechos da conversa.
Como você vê o Brasil?
Acabei de ler no New York Times que, possivelmente, o Brasil é o País mais importante do mundo para o qual estão voltados todos os olhos do mundo. Não que o artigo todo seja a favor, é até crítico e contra. Mas parte do pressuposto de que o Brasil é um êxito histórico aos olhos deles, estrangeiros, muito maior do que a gente imagina. Partem do pressuposto de que o Brasil é algo grandioso e falam justamente sobre as provas de que o País não superou o que há de horrendo nele. Se referindo à derrubada daquele helicóptero por traficantes no Rio, à violência, e a uma passividade do Brasil em relação às finanças internacionais, como que dizendo que o País deveria liderar uma virada nessa questão.
E você, o que acha?
Sempre achei que o Brasil é um país com destino de grandeza e uma originalidade fatal.
O que é uma "originalidade fatal"?
Somos um país de dimensões continentais, cujo povo fala português nas Américas, com uma população altamente miscigenada... São muitos fatores estranhos... O português é considerado assim o "túmulo de espírito". O próprio padre Antonio Vieira disse isso da língua. No entanto, essas desvantagens apontam para uma originalidade enorme, que a gente pode ou não aproveitar. Então eu gosto, por exemplo, de uma entrevista do (ex-ministro) Mangabeira (Unger) no Estadão sobre a Amazônia, em que ele diz que o Brasil devia fazer dela uma experiência de vanguarda tecnológica e de desbravamento de atitudes com relação ao desenvolvimento sustentável. Uma coisa de grande ambição, experimental. Acho que essas visões é que apontam para a verdadeira vocação do Brasil. É assim que eu penso. E olhe que minha candidata à Presidência é Marina Silva.
Você já escolheu?
Pode botar aí. Não posso deixar de votar nela. É por demais forte, simbolicamente para eu não me abalar. Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é uma cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem. Mas olha, eu concordo com o Mangabeira sobre a vanguarda tecnológica e o desbravamento. Parece uma contradição? Mas é assim.
Talvez não seja. Em nenhum momento o Mangabeira fala em destruição, em uso não sustentável...
Não sei se a Marina diria dessa forma. E acho que há, sim, uma tensão da posição dela em relação à de Mangabeira, embora ela seja a minha candidata. Se ela for, voto nela, com a esperança de que ela, com sensatez que sempre demonstra, acolha a complexidade da realidade. E, no poder, seja mais pragmática que Lula. E mais elegante, o que já é.
A Marina teria condições de gerir um país deste tamanho?
Acho que ela é muito responsável e muito sensata. Se empenhar as energias para ganhar e se tornar capaz disso, ela levará a sensatez ao ponto de poder gerir. Suponho que agora ela não parece ter essa capacidade, com as coisas como estão.
Serra faria um bom governo?
Pode fazer. O Serra foi um excelente ministro da Saúde. Agora, ele é o tipo do cara que, se tivesse ganho no lugar de Lula, em 2002, teria trazido mais problemas à economia brasileira. Ele teria feito um governo mais à esquerda e a economia talvez tivesse problemas que não está tendo porque o Lula fez a economia de direita. E ouve os conselhos de Delfim Neto, que o Serra não ouviria. O Lula foi mais realista que o rei. Foi bom, a economia deslanchou.
E Dilma?
Não tenho ideia. Ela tem um trabalho de pura gestão, mas sem experiência de poder político direto. Ela nunca foi eleita a coisa nenhuma.
A Marina tem?
Ela tem. Os candidatos são todos de nível bom. Vou falar em Aécio, de quem eu gosto muito. Talvez seja meu favorito entre os gestores. Porque acho que o Serra talvez ficasse mais isolado que o Aécio. E a Dilma talvez ficasse muito presa ao esquema estabelecido de ocupação dos espaços estatais pelo governo do PT.
Qual a função do Estado no processo de desenvolvimento?
Não tenho uma ideia precisa. Simpatizo muito com a tradição liberal inglesa e anglófona. Mas não me identifico plenamente com a ideia de Estado mínimo, de liberdade para as transações.
Antes da crise econômica, você era a favor do Estado mínimo?
Não. Eu tinha uma certa raiva daquela onda de Margaret Thatcher e Ronald Reagan, embora simpatize com o liberalismo de língua inglesa. Sempre me vem à cabeça a ideia de que a Margaret Thatcher estaria dizendo algo do tipo "eu privatizaria o ar, se pudesse..." Acho que ela chegou mesmo a dizer isso, pelo menos corre a lenda a respeito. E quando eu vejo essa gente dizer que a única coisa que deve mover as pessoas é o desejo de lucro tenho vontade de me agarrar em São Francisco de Assis, entendeu?
O Estado tem que mexer na Lei Rouanet?
Não sou muito bom nesse negócio. Sou como umas moças que eram bonitas e apareciam nuas nos filmes, e tinham de ter uma opinião política. Eu sou assim. Não sei se tem que mudar. Fico com pena do leitor de jornal, quando sai assim "a excursão de tal cantora foi recusada", ou "foi aprovada", ou ainda "pode captar". Para música popular, o máximo da captação é 30%. Mas 30 % de quê? O público lá sabe o que é isso? Para música clássica, pode chegar a 100%... Mas repito: eu sou daquelas moças... não estudei direito.
Mas voltando ao Estado brasileiro, ele é eficiente?
Meu pai foi funcionário público, dedicadíssimo à sua função. Embora estatísticas provem o contrário, ele contrariava as estatísticas. Então eu tenho uma ideia de que o serviço público pode ser amado, a pessoa pode dar todo seu sangue àquilo. E que não apenas o lucro capitalista é a única motivação.
O Estado deve ser um regulador...
Justamente, a ideia é essa. Que ele seja o regulador do equilíbrio de forças. Os governos têm de se submeter à lei, para estar representando o Estado.
Mas é o problema: cumpre-se a lei?
Não, muitas vezes não. Mas esse negócio de Estado muito forte não me atrai. Acho que ele tem de ser firme, mas não tem de ser um Estado de força. A lei tem de ser nítida, obedecida por todos, em primeiro lugar por quem manda. Ele não tem de se meter, tem de regular, para criar um equilíbrio. Agora, é preciso saber se os seres humanos têm essa saúde mental para querer que as coisas funcionem assim. A vida é complicada, dolorosa, difícil, as pessoas na verdade vão para atitudes muito irracionais... Sabe quem eu acho que tem o discurso mais interessante sobre como a gente, em coletividade, se comporta e como é complicado ter esperança? Freud. Acho que Freud fala de modo mais interessante sobre possibilidades do homem como ser social, do que os marxistas e do que muitos liberais. Pessoas não podem ter esses poderes enormes.
E o que acha da América Latina? No que ela está se transformando com pessoas que têm esses poderes enormes?
Tem uma recaída num negócio que é tradicional aqui, a figura do líder populista - uma linha demagógica liderada por Hugo Chávez. Mas o interessante é que Lula tem um papel bem diferente disso. Lula é um grande líder populista, mas é mais pragmático - mesmo com essa euforia em que entrou desde a posse até hoje. Ter tido Fernando Henrique e Lula em seguida é um luxo. Saíram melhor que a encomenda, ambos.
O Rio tem um desafio, de se pôr em ordem até 2016. Vai dar?
Ele tem de conseguir alguma coisa. Eu li na semana passada, no The Economist, que um dos agravantes para o Rio é o relativo igualitarismo da economia do tráfico. A revista não dá ênfase à derrubada do helicóptero, falam é da economia do tráfico. Que os drug lords do Rio não têm aquela vida de carrões, dinheiro, mulheres... diferentemente do resto da sociedade, onde as diferenças são abissais. A gente devia atentar pra isso.
Algum dia pensou em se mudar?
Não, nunca.
A violência o assusta?
Sempre assusta, até em filmes. Mas não vivo com medo.
As pessoas perderam a capacidade de se indignar?
Não acredito muito nisso. Hoje as pessoas aceitam a violência, o Congresso com essa corrupção toda... O povo não é tolo assim. Hoje há mais exposição dessas coisas. . Então não é que as coisas mudaram, é que elas vieram à tona. Suponho que o povo percebe. Passei um ano no Rio e vi como eram as coisas, não se pode dizer que era melhor. E não se falava muito do assunto. Ele apenas veio à tona. Mas olha, vir à tona é uma melhoria.
Como você se relaciona com a tecnologia?
Sou um pouco parcimonioso. Por exemplo, não tenho celular. Nunca tive. Vivo como se estivesse em 1957. Sei que o celular veio bem depois, mas eu ajo com relação a isso como se fosse 1957. Escolhi esse ano porque é um ano que eu gosto.
E o Twitter?
Twitter não. Eu gosto muito de e-mail.
Caetano Veloso. Citibank Hall (1.450 lug.). Av. Jamaris, 213, 2846-6000. 6.ª e sáb., 22 h; dom., 20 h. R$ 80/ R$ 170
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
As últimas de Caetano Veloso, em entrevista exclusiva para o Caderno 2
Postado por Cristiano Persona às Quinta-feira, Novembro 05, 2009 0 comentários
Marcadores: Caetano Veloso, MPB
Na marca do pênalti
Nos últimos tempos temos visto bastante a imprensa nacional e internacional falar em BRIC. Essa sigla é utilizada, em grosso modo, quando se faz referência aos quatro principais países emergentes do mundo: Brasil, Rússia, Índia e China. Quando falamos em “emergentes” lembramos de dinheiro e dinheiro nos lembra desenvolvimento. Na minha opinião um país emergente, ou em desenvolvimento, pode ser comparado a um time de futebol onde todos trabalham para o gol.
O Brasil é um dos países que está com a bola na marca do pênalti. Falta o atacante chutar e a bola entrar. É certo que para ele chegar a marca do pênalti precisou da ajuda de toda a torcida, digo, de toda a população. E essa ajuda temos dado com certo louvor. O povo brasileiro é alegre e festeiro, mas já provou saber o que fazer na hora que é preciso. Agora, cabe a nós, nos abraçarmos e assistirmos de camarote ao gol de nossos atacantes.
Não seria justo depositarmos toda essa esperança e responsabilidade sobre o executivo, nas figuras dos prefeitos, governadores e presidente. Precisamos, e vamos precisar cada vez mais, de nossos vereadores, deputados e senadores. E esse é o ponto mais delicado.
Frequentemente investimos maior tempo na escolha de nossos candidatos ao executivo e deixamos os do legislativo para segundo plano. Esquecemos da importância que carrega uma pessoa que representa toda uma comunidade e tem a responsabilidade de propor soluções de melhoria que afetarão, sem dúvida, a todos. Mas sempre é tempo de uma revisão. Ano que vem teremos eleições para deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente. Desde já proponho uma análise crítica aos pré-candidatos no sentido de avaliar a competência dessas pessoas a frente de uma nação. Seria como escolher o jogador certo para bater o pênalti.
Essa história de BRIC não vem de hoje e não deve terminar amanhã. Para nossa sorte, a cobrança do pênalti em questão leva um pouco mais de tempo do que a de um pênalti em um clássico do brasileirão. A escolha das pessoas certas para as posições certas fará com que o Brasil passe a crescer ainda mais, talvez ultrapassando a China e a Índia que hoje são os países com o desenvolvimento mais acelerado do planeta.
Em nossa região o cenário é bem parecido. Os números dão indícios de que teremos um ótimo quarto trimestre, o que trará certa recuperação em relação as perdas dos primeiros três trimestres. Já temos alguns políticos se pré-candidatando a deputados estaduais e federais, homens e mulheres que estão pedindo a bola para fazer o gol. Diferente do jogo de futebol, onde a torcida tem pouca influência na escolha do cobrador oficial de pênaltis, na democracia é a população que escolhe, através do voto, seus jogadores favoritos. Dessa maneira, o que nos cabe, é fazer a nossa parte escolhendo com consciência as pessoas certas.
Postado por Cristiano Persona às Quinta-feira, Novembro 05, 2009 0 comentários
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
70 anos em 7

Achei muito interessante o comentário que um colega de trabalho fez comigo. Citou uma padaria dizendo que aquela sim era boa, pois não tinha fila. Na sequencia outro colega emendou: não tem fila porque é suja. Pronto. Estava explicada a ausência da fila no estabelecimento.
Lugar bom atrai movimento, movimento atrai investimento, investimento atrai desenvolvimento. Digo isso para chegar ao assunto do momento, a Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016. Li ontem um artigo do Mario Persona – e não é porque ele é meu tio que achei o artigo excelente! - , dizendo que apesar de ele não gostar de Olimpíadas, se emocionou com o anúncio dos jogos. Poucos não se emocionaram. A vinda da Copa em 2014 e das Olimpíadas em 2016 abre a oportunidade para o Brasil se mostrar ao mundo. Paris é a capital da França. Paris é uma das cidades mais importantes da Europa. Paris é o maior destino turístico do planeta. Agora imagine a exposição que a Torre Eifel, principal ponto turístico da cidade tem. É em algo maior do que isso que o Brasil vai se transformar nos próximos anos.
Trata-se de uma oportunidade única na história e que não é oferecida para muitos. Apenas por três vezes um país abrigou os dois eventos esportivos mais importantes do mundo num espaço de tempo tão curto. Tanta exposição pode transportar o Brasil definitivamente para o futuro. Talvez não seja muito falarmos em 70 anos em 7, referenciando o tão batido jargão da campanha de Juscelino Kubitscheck.
Claro que não sou ingênuo a ponto de tapar o sol com a peneira e não enxergar o grande fluxo de problemas que essa escolha traz em seu rastro. Sei que muitas questões sociais estarão sendo deixadas em segundo plano e sei também que o maior cofre para desvio de verbas é a construção civil, que estará intensificada em todas as cidades que abrigarão jogos da Copa e, principalmente, no Rio. Porém, mais uma vez, vou com Mario Persona. No final de seu artigo ele cita que se fosse mais jovem, na época da faculdade, talvez estivesse engrossando o coro dos que vêem mais problemas do que soluções na vinda da Copa e das Olimpíadas. Mas, por ter crescido, prefere ver os eventos pelo lado positivo. Eu também.
Além da vitrine na qual as cidades que receberão os jogos estarão expostas, todo o país deve passar por um momento de pujança e desenvolvimento. Quem vai querer ficar para trás? Até eu, que nunca fui de praticar esportes, resolvi tomar meu rumo e me matriculei em aulas de tênis! Espero que Limeira se inspire um pouco no que vai acontecer a sua volta e entre definitivamente no rumo certo, o rumo do desenvolvimento.
Postado por Cristiano Persona às Quinta-feira, Outubro 08, 2009 1 comentários
Rio oferece R$ 3 milhões para ser cenário de filme de Woody Allen
FÁBIO GRELLET
da Folha de S.Paulo, no Rio
A Prefeitura e o Estado do Rio ofereceram R$ 3 milhões à equipe do cineasta norte-americano Woody Allen para que a capital fluminense seja cenário de seu próximo filme. As duas administrações pretendem ser coprodutoras, assumindo responsabilidade solidária sobre o lucro ou o prejuízo obtido pela filmagem.
Dois produtores da equipe de Allen --a irmã dele, Letty Aronson, e Stephen Tenembaum-- chegaram ao Rio anteontem para discutir o projeto e visitar eventuais locações. Anteontem, eles se reuniram com o governador Sérgio Cabral (PMDB), o prefeito Eduardo Paes (PMDB) e seus respectivos secretários de Cultura. A decisão caberá ao cineasta e pode demorar até três meses.
Antes de chegar ao Rio, os produtores estiveram em São Paulo, onde passaram dois dias. "As negociações com o Rio só começaram e por enquanto não há nada decidido. Mas vamos fazer o que for possível para convencê-los a vir para cá", afirmou a secretária estadual de Cultura, Adriana Rattes, que calcula em US$ 30 milhões (cerca de R$ 52,5 milhões) o orçamento total do filme.
Para conhecer eventuais locações, a dupla de produtores já esteve no Jardim Botânico, na zona sul, e no bairro da Tijuca, na zona norte.
Roteiro e elenco não começaram a ser discutidos. A intenção da prefeitura e do Estado é que Allen explore as paisagens do Rio como fez com a cidade espanhola de Barcelona no filme "Vicky Cristina Barcelona" (2008).
Nota do autor do blog: Conforme eu já havia informado aqui.
Postado por Cristiano Persona às Quinta-feira, Outubro 08, 2009 0 comentários
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Being more David!

Chegou a hora de ser um pouco mais David. Pra quem não conhece, David Ogilvy foi o fundador de uma das mais importantes e influentes agências de propaganda do mundo, a Ogilvy&Mather. Fez história com campanhas inesquecíveis que influenciaram o dia a dia de toda a sociedade onde eram veiculadas.
Ainda hoje, 10 anos após sua morte, a Ogilvy é sinônimo de criatividade, ousadia e boa comunicação. Por ocasião desses 10 anos sem David, todo o site da agência, assim como os prédios onde ela está instalada, estão com uma campanha que provoca a todos para serem “more David”. Ser “more David” é ser mais ousado, mais criativo, ter mais atitude.
Em recente bate papo com um dos diretores de mídia da agência, essa cobrança por atitude foi muito comentada. É extremamente difícil encontrarmos profissionais com atitude nos dias de hoje. Com a facilidade e o acesso ao ensino, muita gente tem cursos, workshops, palestras, pós graduações, etc. Muito conhecimento. Pouca atitude. Pouca ousadia.
Vamos voltar ao David. Em 1948, fundou em Nova Iorque a agência de publicidade Ogilvy, Benson & Mather, com o suporte financeiro da agência londrina Mather & Crowther. Trinta e três anos depois, enviou o seguinte memorando a um dos seus sócios:
“Alguma agência irá contratar este homem? Ele tem 38 anos, está desempregado. Foi expulso do colégio. Foi cozinheiro, vendedor, diplomata e fazendeiro. Não sabe nada de marketing e nunca sequer escreveu um texto de publicidade. Diz estar interessado em iniciar a carreira de publicitário (aos 38 anos!) e está pronto para trabalhar por US$ 5.000 por ano. Duvido que alguma agência americana o contrate. Contudo, uma agência de Londres acabou realmente por contratá-lo. Três anos depois, tornou-se no mais famoso redator publicitário do mundo e, neste momento, possui a 10ª maior agência de publicidade a nível mundial. Moral da história: algumas vezes, esta é a recompensa por uma agência ser tão criativa e não ortodoxa ao contratar pessoas. D.O.”
Claro que ele estava se referindo a ele próprio no memorando. Uma questão de atitude. Também foi uma questão de atitude o que me motivou a escrever esse post. Só que minha. Chegou a hora de ser “more David”. De mostrar a cara. De encarar novos desafios.
Postado por Cristiano Persona às Segunda-feira, Setembro 21, 2009 0 comentários
Marcadores: Opinião, Publicidade
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Mas quem será Lilian?
O Jornal Nacional da TV Globo está completando 40 anos. Já vínhamos observando homenagens diárias às afiliadas da TV ao longo do ano, mas para essa semana o JN preparou uma sequencia de reportagens especiais lembrando os 40 anos de história sob a ótica de diferentes temas: esportes, tecnologia, ciências, etc.
A história de um telejornal tão importante quanto o JN confunde-se com a história do povo brasileiro. Quem não se emocionou na segunda-feira revendo as maiores conquistas brasileiras no esporte? Senna, Guga, Scheidt, as meninas e os meninos do vôlei, a seleção de futebol, Daiane dos Santos. Todos esses e muitos outros estavam lá em imagens inesquecíveis.
Na terça-feira, ao lembrar dos 40 anos sob a ótica da tecnologia, Limeira estava presente. Em meio as lembranças dos avanços tecnológicos mais importante dos últimos 40 anos, como a chegada do álcool as bombas de combustível, a telefonia móvel, a jornada do astronauta brasileiro ao espaço, a chegada do homem a lua, a entrada dos computadores no dia a dia da população, nossa cidade foi lembrada.
Quem não viu a matéria, deve estar pensando qual foi o feito que nos colocou em reportagem especial tão importante. Terá sido uma das nossas indústrias? Seriam as inovações nas plantações de laranjas de outrora? Ou algum avanço importante no ramo de folheados a ouro? Não, nada disso. O que nos transportou para lá foi o celular. Isso mesmo, o celular!
Uma das entrevistadas do programa, que já deve passar dos seus 80 anos, comentou a respeito da grande inovação que faz com que um pequeno aparelho sem fios conecte pessoas tão distantes, assim como ela e sua filha, Lilian, que mora em Limeira. Pronto, nosso minuto de fama na semana comemorativa do JN está gravado na memória do povo brasileiro. Limeira estava lá, ao lado da Lua, no dia da tecnologia!
Temos que agradecer a Lilian que, imagino, não seja limeirense mas acabou vindo para cá por algum motivo. Quem diria que essa vinda colocaria Limeira em horário nobre na Globo, desbancando fatos importantes de nossa história recente. Fatos importantes? Mas quais? Fica aqui a dica para os leitores fazerem um exercício de memória e recordarem dos acontecimentos de nossa cidade que mereceriam estar na semana comemorativa do Jornal Nacional. Quem sabe alguém acerta na mosca e o tema é abordado em uma das últimas reportagens da série. Tomara.
Postado por Cristiano Persona às Quinta-feira, Setembro 10, 2009 0 comentários
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Mais do mesmo
Vivemos em um país apaixonado por futebol. Os campeonatos estaduais, o brasileirão, a Libertadores, a Copa do Mundo. Ah, a Copa do Mundo! O país inteiro aguarda ansiosamente para ver uma seleção de craques, eleitos pela comissão técnica após criteriosa análise por todos os torneios mundiais, entrar em campo e representar a nação com garra e habilidade. No final, o que todos queremos, é que o Brasil seja campeão.
Mas nem sempre é assim. Tenho 30 anos e já passei por sete campeonatos mundiais. Dois deles conquistados pelo Brasil. Vitória da equipe, de talentos individuais, da comissão técnica e do povo. Outros perdemos mas, em quase todos, lutamos com garra, atletas e torcida unidos em prol de um objetivo que nos escapou pelas mãos. Em minha opinião, a única exceção foi a Copa de 2006.
Naquele ano tínhamos uma seleção estelar. O famoso quadrado mágico, formado por quatro dos melhores do mundo, era a esperança óbvia de um final feliz. Já nos primeiros jogos a magia do quadrado se desfez. Aos trancos e barrancos fomos avançando, apoiados em nossa história e empurrados pela torcida. Mas o time francês, carrasco de outros tempos, voltou a nos assombrar ao nos eliminar nas quartas-de-final. No momento do gol do adversário, Roberto Carlos virou as costas para o Brasil ao ajeitar sua meia. O país todo guardou aquela imagem como a derradeira, de uma seleção que se apagou.
No final de agosto, no planalto central, outra estrela se apagou. No momento em que o PT, partido que sempre se posicionou como a opção para as velhas lideranças, votou pelo arquivamento das denúncias contra José Sarney (PMDB) no senado, toda uma história de lutas e conquistas foi colocada em cheque. O partido se rachou a ponto de petistas “famosos” renunciarem e Aloísio Mercadante anunciar publicamente que deixaria a liderança do partido no senado para lutar pelo “PT que ele acredita”. Não chegou a tanto. Mas ainda assim deixou a dúvida: será que esse “PT que ele acredita” ainda existe?
Nas últimas eleições presidenciais, unindo-se ao PMDB, o Partido dos Trabalhadores demonstrou fraqueza. Agora, a palavra “fraqueza” já está fraca para ilustrar o novo episódio. Em busca de apoio para a sucessão presidencial de 2010, o PT abre mão de sua ética e moralidade. Já não se pode mais olhar para a estrela vermelha e branca e tê-la como opção de mudança. A estrela hoje, representa apenas mais do mesmo.
Resta saber se esse ato do PT vai ficar na memória da população como o derradeiro de um partido que um dia apontou com propostas inovadoras. A estrela do PT vai precisar de força e tempo para voltar a brilhar na cabeça da população, assim como a da seleção brasileira que, apenas três anos depois, aponta com algum brilho.
>> Texto publicado na coluna Opinião (Página 2) do Jornal de Limeira de 27/08/2009.
Postado por Cristiano Persona às Quinta-feira, Agosto 27, 2009 1 comentários
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Xô preconceito! We are Salvador.
Claro que a comparação está mais relacionada aos aspectos culturais e econômicos do que propriamente ao tempo. Nós, acostumados a industrialização e a rigidez do eixo Campinas-São Paulo, muitas vezes não entendemos lugares como Salvador. Na minha opinião, Salvador é uma cidade singular que consegue uma mistura ímpar de crenças, raças, ritmos, cores e sabores cuja visita deveria ser obrigatória a qualquer brasileiro. Passear no Pelourinho, subir e descer pelo Elevador Lacerda ou passar uma tarde em Itapuã é algo que nos coloca em contato com uma cultura completamente diferente e extravagante. Uma aula de aceitação.
Em Salvador, pensar em preconceito está proibido. Terreiros misturam-se com igrejas, negros e brancos do Brasil misturam-se a europeus, vatapás e acarajés misturam-se aos fast food. Esse misto é o que faz de Salvador uma cidade única.
Falando em Salvador, mistura e Elevador Lacerda é impossível não lembrar de cidade alta e cidade baixa. E saindo do Elevador Lacerda na cidade baixa a dica é percorrer cerca de 200 metros a esquerda e entrar no restaurante Trapiche da Adelaide.
O restaurante estrelado pelo Guia 4 Rodas, que teve em seu início o cardápio criado pelo chef Claude Troisgros, fica em um galpão as margens da Baía de Todos os Santos. Uma grande parede de vidro voltada para a baía faz com que os habitués sintam-se almoçando em um iate. Ou mais que isso! Nesse clima, com esse cardápio, a dica é o Camarão gigante puxado na mostarda Dijon. O atual chef, Joelson Peixinho, não me passou a receita, mas eu, cozinheiro de final de semana que sou, tentei adivinhar. E consegui algo bem parecido. Vale a pena arriscar.
Camarão gigante puxado na mostarda Dijon
Ingredientes:
1,2 kg de camarões grandes
2 colheres de sopa de mostarda Dijon
200gr de damasco seco bem picados
2 fatias de abacaxi bem picadas
Cerca de 1 xícara de lâminas de amêndoas torradas
1 cebola bem picada
3 dentes de alho espremidos
3 colheres de azeite extra virgem
Sal a gosto
Pimenta do reino a gosto
Modo de preparo:
Em uma panela de fundo grosso, doure a cebola e o alho no azeite. Junte os camarões já misturados ao sal e a pimenta do reino e cozinhe até que estejam quase no ponto. Cerca de 2 minutos antes de apagar o fogo, acrescente o damasco, o abacaxi e a mostarda Dijon. Deixe cozinhando por dois minutos e está pronto. Sirva salpicado com as amêndoas e acompanhado de arroz branco.
Se preferir o prato mais cremoso, incorpore aos poucos cerca de uma colher de sobremesa de farinha de trigo passada na peneira. Isso vai depender do tipo e do tamanho de abacaxi que você usar na receita.
Bom apetite!
Serviço:
Trapiche da Adelaide
Av. Contorno/Pça. dos Tupinambás, 2 (Comércio) (Cid. Baixa) – Salvador – BA
tel: (71) 3326-2211
Postado por Cristiano Persona às Segunda-feira, Agosto 24, 2009 1 comentários
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Entre palavras e panelas
Hoje estreei uma coluna na página 2 do Jornal de Limeira. A página 2, ou outra logo no início de um jornal, é reservada para os colunistas, articuladores, repórteres e, principalmente, editores e os próprios jornais expressarem sua opinião em relação a assuntos pertinentes e que influenciem o dia a dia da população onde o diário circule. É a página do Editorial do jornal.
Tive meu primeiro momento de “jornalista” há anos. Escrevi por um ano uma coluna jovem na revista Expressão Regional. Após isso, textos isolados, alguns roteiros publicitários e de TV e o embrião do que um dia quero transformar em um livro. O que tenho de mais sólido no momento é meu blog.
Adoro meu blog, mas sei de suas limitações. Não o divulgo em lugar algum e sei que apenas o boca a boca que faço com meus amigos não é suficiente para torná-lo um “best reader”. Já a página 2 de um diário oferece outras possibilidades. Esse é, sem dúvida, o primeiro passo de uma longa jornada. A cada dia tenho mais certeza que meu destino estará entre as palavras e as panelas. Adoro escrever e adoro cozinhar. Já faço as duas coisas, porém não profissionalmente.
De qualquer maneira, este post é para agradecer ao Carlos Chinellato e ao Jornal de Limeira pelo convite. Talvez eu devesse ter feito isso no início do meu primeiro texto publicado hoje, mas a ansiedade e a vontade de escrever fizeram com que todo o espaço fosse tomado por minhas idéias. Fico muito feliz em compartilhar as páginas com nomes já consagrados em nossa cidade e na região como o do próprio Carlos Chinellato, Renata Caran, Nani Camargo e Cristiano Kock Vitta. Isso só para citar os mais próximos.
Espero escrever ainda muita coisa legal no jornal e em muitos outros lugares. De momento: valeu galera!
Postado por Cristiano Persona às Quinta-feira, Agosto 13, 2009 1 comentários
Marcadores: Opinião
Para ti, para mim e para todos
Paraty, no litoral sul do Rio de Janeiro, está realmente na moda. Não foi sempre assim. A história da cidade é um sobe e desce de circunstâncias que de tempos em tempos a tornam mais ou menos importante para o Brasil.
Logo no século XVII, Paraty virou sinônimo de riqueza, pois servia de despedida para os navios carregados do ouro vindo principalmente das Minas Gerais. O famoso “Caminho do Ouro” era o percurso percorrido pelos extratores que levavam as riquezas do Brasil para a Europa.
Com a decadência da extração o ouro, Paraty foi perdendo sua importância econômica e voltando ao esquecimento. Foi assim por anos. Teve uma breve sinalização de renascimento econômico no clico do café mas, com a chegada das estradas de ferro e o fim da escravidão, Paraty volta a estagnação ficando com apenas cerca de 600 habitantes, dos mais de 16 mil de outrora.
Hoje Paraty voltou a ficar na moda. A distância e o “esquecimento” fizeram com que a cidade conservasse um clima único no Brasil, talvez no mundo. Ruas calçadas a pedra quase bruta, casarões e igrejas que nos remetem a séculos passados. Uma mistura do novo e do velho capaz de juntar europeus abastados a novos hippies. Nesse ambiente de nostalgia floresce cada vez mais o improvável. A cada ano vemos Paraty inventando formas de atrair, por que não, multidões.
Chico Buarque, na última Flip – Festa Literária Internacional de Paraty –, admitiu que tomou dois calmantes para conseguir lidar com o assédio do povo. Oras, se Chico Buarque, homem acostumado a multidões, admitiu uma fraqueza como essas em Paraty, já podemos incluí-la em listas de cidades que são sinônimos de arte moderna, como é o caso de Nova York ou arquitetura, como Barcelona. Paraty hoje é sinônimo mundial sim. E de literatura.
E qual será a fórmula do sucesso de Paraty? Em minha opinião, um misto de circunstâncias e criatividade. Colocam-se as pessoas certas no lugar certo e temos um novo modelo de turismo e sucesso. Um modelo a ser copiado. Não, não. Não estou sugerindo que Limeira copie Paraty e passe a investir em turismo. Mas podemos sim pensar melhor em nós mesmos.
Sem exageros, Limeira tem uma posição privilegiada em relação a maioria das cidades industrializadas do mundo. Estamos em um dos quatro países que mais crescerão nas próximas décadas. Estamos ladeados de três das mais importantes rodovias do país. Estamos a poucos minutos do aeroporto que será o maior aeroporto de carga do país. Está na hora dos governantes e, principalmente nós, o povo, darmos a real importância que nossa cidade merece e nos colocarmos de uma vez por todas no mapa do desenvolvimento do Brasil. É desenvolvimento para ti, para mim e para todos.
>> Texto publicado na coluna Opinião (Página 2) do Jornal de Limeira de 13/8/2009.
Postado por Cristiano Persona às Quinta-feira, Agosto 13, 2009 0 comentários
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