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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Amor em 4 atos – Parte 2

De fato “Mil Perdões” em si é uma novela inteira. Baseado “apenas” nessa música e tendo como trilha “apenas” essa música, o segundo episódio de Amor em 4 atos foi arrebatador. Diálogos rápidos, passagens rápidas e romances rápidos fizeram essa história passar rápido demais. Deu um gostinho de “quero mais” que desde ontem não sai da boca.

A estrela foi Carolina de Ferraz que parece ter reencarnado a sexualidade que ela não interpretava desde que iniciou a carreira. Aliás, ela mantém um corpo de dar inveja a meninas de 25 anos! Foi gostoso vê-la traindo o parceiro de tanto que ela amava ele. Foi gostoso vê-la perdoando o parceiro por ter o traído. Só Chico mesmo é capaz de escrever – e convencer! – com a frase “te perdôo por te trair”.

Pare para pensar. A situação do relacionamento era tão ruim que a traição foi culpa do parceiro. E para uma volta era necessário que o traidor perdoasse o traído! Uma inversão de sentido que na letra do Chico faz todo o sentido. Fantástico!

Eu já tive a oportunidade de assistir ao vivo o Chico interpretando “Mil Perdões”. É apaixonante, perturbador. Foi no show de lançamento de “Carioca”, último trabalho do compositor. Aliás, hoje pela manhã aderi a campanha lançada no Twitter que pede a Globo para transformar a minissérie em 8 atos. Assunto pra isso a obra de Chico Buarque tem de sobra. Puxando rápido pela memória acredito que “Geni e o Zepelim”, “Trocando em Miúdos”, “João e Maria” e “Amor Barato” seriam boas escolhas.

De qualquer maneira esses 4 atos da Globo estão me agradando. Até pela diversidade de roteiro e forma que vimos entre o primeiro e o segundo episódio. Hoje, vamos para o terceiro e último que se desenrola por dois episódios. Depois eu conto o que achei!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Correção

Cacá Rosset: Carlos Eduardo Zilberlicht Rosset, São Paulo, 9 de março de 1955), mais conhecido como Cacá Rosset, é um ator fundador do grupo brasileiro Teatro do Ornitorrinco[1] (juntamente com Maria Alice Vergueiro e Luiz Roberto Galizia). Seus espetáculos sempre atrairam grandes platéias[2], devido ao caráter instigante e revolucionário de suas peças, que mesclavam música ao vivo, circo e representações.

Cacá Diegues: Carlos Diegues, mais conhecido como Cacá Diegues, (Maceió, 19 de maio de 1940) é um premiado cineasta brasileiro. Foi casado com a cantora Nara Leão, com quem teve dois filhos, Isabel e Francisco. É um dos fundadores do Cinema Novo e dirigiu o videoclipe da canção "Exército de um homem só", da banda Engenheiros do Hawaii.

Eu havia me equivocado e trocado o Cacá Rosset pelo Diegues no post abaixo. É, as vezes nos confundimos um pouco! Mas sorte que temos bons amigos de olho no que escrevemos. Valeu Lic!

Amor em 4 atos – Parte 1

As primeiras matérias sobre a possibilidade de a Globo gravar algo baseado nas canções de Chico Buarque deixou os fãs, como eu, extremamente curiosos. Chico, em minha opinião, é a maior inspiração artística nacional desde os idos anos 60. Com competência, personalidade e um carisma inesperado, o tímido arquiteto paulistano se tornou em uma unanimidade nacional ao compor obras como A Banda, Construção, Apesar de Você, Sabiá, Geni e o Zepelin, De todas as maneiras, Cálice, etc, etc, etc. Todas as “etc.” talvez fossem poucas para a extensa obra do músico.

A Globo, apesar de alguns deslizes, é sim uma das maiores produtoras de bom conteúdo do mundo e a única que consegue colocar na tela de forma competente atores e autores em produções 100% nacionais. Já imaginaram a imensidão de minutos de programas que já saíram do Projac empregando milhares de artistas brasileiros do front e do backstage? Palmas para a Globo, principalmente, por incluir Chico Buarque em sua produções.

Vocês sabiam que Chico e a Globo já tiveram sérias desavenças? Certa vez Chico foi convidado para estrelar um programa de auditório ao lado de Nara Leão. Claro que, com a tímida desenvoltura dos dois diante das câmeras, o programa não desenrolou. Chico, para se ver livre do fardo, “acertou” com a diretoria da emissora de inscrever uma canção no Festival de Música que a Globo estava fazendo mas que não estava tendo o mesmo reconhecimento dos antigos festivais da Record. Incomodado e chateado com a situação, Chico compôs “Carolina” de qualquer jeito e a inscreveu. Poucas vezes o compositor foi visto cantando essa música por dizer que havia sido feita “nas cochas”. Eu até que gosto da música.

Mas estou hoje aqui para falar de “Amor em 4 atos”, para ser mais exato, do primeiro ato de “Amor em 4 Atos”. Gostei bastante. Inspirado em “Ela faz cinema” e “Construção” começou meio travado mas a Marjorie Estiano, surpreendentemente, deu conta do recado e, ao lado de Malvino Salvador, convenceu na pele da protagonista. Palmas também para Caca Rosset que brilhou na pele do sírio vendedor de quitutes apaixonado pela voz da Estação Júlio Prestes. Aliás, a locação foi acertada. Realmente morar em frente a essa estação deve ser o máximo e combina perfeitamente com a letra de “Construção”, que indica ter de pano de fundo uma cidade como São Paulo.

Intrigante também foi a forma, que fugiu muito do que estamos acostumados com uma narração sarcástica alinhavava a história contada de maneira fluida e gostosa. Parecia até uma das letras do compositor. Mas uma daquelas letras suaves, sem preocupação política.

O episódio de hoje promete mais. Alinne Moraes deve mandar bem na pele de uma garota de programas que tem “Mil Perdões” como inspiração. Pra falar a verdade, eu não citei acima mas essa música é sem dúvida uma das minhas preferidas.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Saudade da Bahia

É estranho mas eu sinto tantas saudades da Bahia. É estranho porque eu não sou baiano e só estive por lá três vezes, duas em Porto Seguro e uma em Salvador. E mais estranho ainda pois essa saudades refere-se só a Salvador. Já contei aqui no blog as circunstâncias que me levaram a Salvador. Se você procurar pelo post “Xô preconceito” você vai conhecer a história.

Mas essa “saudades da Bahia” é gostosa. Além do lugar, claro, maravilhoso por “n” motivos, essa saudades também é das músicas do Dorival Caymmi, da Maria Bethânia, da casa da Gal Costa, da tarde de Itapuã, da aceitação pelo diferente, do desapego, da ausência de preconceito, do camarão com mostarda Djon do Trapiche da Adelaide, da liberdade, do por do sol, dos incríveis três dias de folga que tirei por lá em um momento que realmente eu precisava.

Uma vez pensei bastante a respeito da saudades quando meu avô Mario morreu. A saudades da morte é uma saudades que dói. Mas a saudades da morte também é uma saudades que se transforma, uma saudades de coisas boas, uma saudades de memórias boas. Com o passar do tempo a saudades se transforma de dor em lembranças, em lembranças boas. Não vale a pena sentir dor, o que vale é passar direto para as boas lembranças.

Voltando a Bahia, voltando a saudades, voltando as lembranças posso dizer que estou feliz porque estou nesse momento relembrando não só a Bahia, mas a minha época de posts poéticos. Adoro escrever esse tipo de coisa! O texto acaba passando uma mensagem gostosa, parecida com a música Saudades da Bahia. Conhecem? Lá vai...

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Vocês ainda estão por aqui?!

Será que alguém ainda acompanha meu blog? Não postei mais nada, não olhei no analytics como andam as visitas, sequer entrei na home para matar as saudades das minhas frases queridas do Chico, da Bethânia e do Tim Maia! UAU, que desleixo com meu blog que há posts atrás eu dizia que era uma das coisas que eu mais gostava de fazer...

De fato gostava e gosto. É que a vida virou de cabeça para baixo. Mudei de emprego, mudei de cidade, mudei de vida. Só não mudei de família, de amigos e de namorada porque esses eu não troco por nada!!!

Na minha nova casa aqui em São Paulo, ainda não tenho Internet. Na Veja - isso mesmo, estou trabalhando na revista Veja! - não está dando tempo para respirar, muito menos para alimentar esse meu filho. Estou aproveitando que cheguei mais cedo no trabalho - já é a quinta vez essa semana que sou o primeiro a chegar - para dar uma passadinha e contar as novidades por aqui.

Esse final de semana fico em São Paulo, é aniversário da Audrey e preparei algumas comemorações. Coisinhas gostosas envolvendo vinho, culinária e amor! E por falar em Audrey estou contente porque disseram algumas pessoas fora de suspeita - ela mesma e minha mãe! - que a entrevista que ela fez com o Mario Persona e que vai ao ar no domingo (8/8) pela TV Mais ficou ótima. Estou curioso.

Bem, vou encerrando por aqui pois meu primeiro colega de trabalho acaba de chegar e temos um montão de coisas para fazer. Prometo atualizar mais meu blog. Acho que já prometi isso! E não cumpri... De qualquer maneira, está prometido.

Beijos e até!


PS: primeiro texto desse blog escrito direto no Blogspot e publicado sem nenhuma revisão. Deve ter um montão de erros. Perdão Chico Buarque, meu leitor mais assíduo!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Roda Viva

É incrível como a letra da música Roda Viva do Chico Buarque traduz perfeitamente o mundo em que vivemos. Estamos constantemente querendo mandar em nosso destino, mesmo sabendo que isso é impossível. Fazemos planos, traçamos metas, investimos nosso tempo em projetos, “mas eis que chega a roda viva e carrega o destino pra lá...”.

Fazer planos é extremamente saudável. Nos move para a frente já que estabelece um objetivo a ser seguido. Viver uma vida acomodada e sem metas faz com que fiquemos estagnados, sem rumo e sem possibilidade de crescimento. Cansamos de ver pessoas deixarem oportunidades, literalmente, passarem pela janela por puro comodismo.

Na vida profissional as coisas funcionam da mesma maneira. Porque, por exemplo, um funcionário bem sucedido, ostentando um bom cargo e sendo reconhecido pela comunidade largaria tudo isso? Oras, em busca de algo maior. Quanto mais uma pessoa se esforça para crescer, mais recompensa vem. Mais cedo ou mais tarde o reconhecimento do trabalho aparece e cabe a cada um aproveitar a oportunidade. Sabe-se lá quando uma nova chance vai passar pela sua janela.

Aproveitar a oportunidade. É isso que fez o jogador Robinho ao voltar para o Santos. Desacreditado na Inglaterra, o atleta chegou a ser acusado de estupro e ter sua carreira encerrada. Provou sua inocência, voltou para sua origem e provou em campo sua qualidade. Na Copa que se inicia amanhã, o jogador é um dos cotados para se tornar o ídolo do Brasil.

Voltando à música do Chico, vejo com tranquilidade essa história da roda viva levar nosso destino pra lá. Esse “pra lá” não é ruim. Nem bom. É diferente. Por ser diferente, causa medo na maioria das pessoas. Nossos planos quase sempre estão relacionados as pessoas e as coisas ao nosso redor. Estamos sempre atrás de conforto e segurança, pois isso é intrínseco ao ser humano desde a pré-história quando nossos ancestrais dormiam em cavernas ou se protegiam em árvores.

Os que têm filhos pequenos reparem. Meninas têm medo de “monstros” que moram embaixo das camas enquanto meninos têm medo de “monstros” que vivem dentro dos armários. Isso é uma herança de nossos ancestrais mulheres, que subiam em árvores para se proteger quando os homens saiam para caçar, e homens, que protegiam a porta das cavernas durante as noites de sono da prole. Sendo assim o perigo sempre vinha debaixo ou da porta, respectivamente. Intrigante, não?

De qualquer maneira o sábio Chico já disse que a roda viva está aí entre nós. Não adianta fugir e não vale a pena ter medo. Saiba usar a roda ao seu favor que, com bom senso, será o melhor para todos.


sexta-feira, 23 de abril de 2010

Amor, festa e devoção.

Estive com uma pessoa muito querida semana passada, vocês devem conhecer, que se chama Maria Bethânia. Sim, sim, ela é muito conhecida minha embora para ela eu seja um ilustre desconhecido. De tanto escutar suas músicas e acompanhar seu trabalho, já me sinto amigo íntimo da cantora a ponto de querer lhe dar um “tchauzinho” achando que ela me reconheceria e iria retribuir com um aceno.

Foi a primeira vez que vi a intérprete ao vivo e trouxe um conselho muito especial dela comigo: amor, festa e devoção. Era esse o título de um espetáculo irretocável, com som, iluminação, coreografias, figurino e banda trabalhando juntos com Bethânia de maneira a fazer com que a platéia se sentisse dentro do palco. Amor, festa e devoção. Esse foi o conselho que ela me deu e que agora divido com vocês.

Aconselhado em forma de música, saí dalí convencido de que devemos levar a vida com mais amor, com mais festa e com muito mais devoção. Olhem ao redor e pensem em nosso dia a dia. Fazemos as coisas tão automaticamente que chegamos ao ponto de não lembrar o que fizemos há meia hora! Trabalhamos, fazemos compras, circulamos daqui para lá, trabalhamos, resolvemos problemas, cozinhamos, varremos a casa, trabalhamos e trabalhamos mais um pouco. Tudo sem um mínimo de amor, sem festa e com pouca devoção.

Vamos fazer um exercício para mudar as coisas? Experimente fazer o trabalho com mais amor que ele será menos trabalhoso. Leve a vida com mais festa, promova encontros, rodeie-se de pessoas queridas. Faça festa a dois ou até sozinho. Deixe com que datas importantes sejam marcadas com comemorações. Tire fotos! Com mais amor e mais festa você estará mais dedicado a vida. E o que é a dedicação senão um simples sinônimo de devoção?

Não por coincidência, mas por amor, estive também na semana passada em um show do Gilberto Gil. E a comprovação estava lá. Como se os dois ícones da MPB tivessem conversado e conspirado para que eu saísse dos shows convencido. A mensagem, mais uma vez, estava dada em forma de música. No momento mais alto do show, Gil nos convida a “andar com fé, que a fé não costuma falhar”. Uma nova mensagem de devoção. Um novo convite a fazer as coisas conforme a recomendação da Bethânia.

Pronto, eis o que, em minha opinião, os dois artistas quiseram me aconselhar nos shows e que agora divido com vocês. Minha esperança, com esse conselho, é que cada um leve algo de positivo para sua vida daqui para a frente. Se com ele eu conseguisse chegar até todos os brasileiros, pediria um pouco mais de dedicação no que fazem. Desde o Presidente da República até nós, trabalhadores comuns, temos o dever de vivermos com mais amor, festa e devoção.

* Texto publicado na Página 2 do Jornal de Limeira de 23/4/2010.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Os meus mais belos sambas enredo!

O carnaval me contagia. Não sou folião de carteirinha tanto que já há alguns anos passo o carnaval em minha cidade, apenas com família e amigos e sem grandes badalações. Ainda assim gosto do carnaval. Gosto do clima, das músicas, da festa dos blocos, do fato de ser a maior celebração popular do mundo!

Já desfilei na Marquês de Sapucaí pelo Salgueiro, já participei de grandes carnavais de salão, já saí com o Bola Preta, já fui pra Bahia, já passei horas indo e vindo na caçamba de uma caminhonete no Guarujá, já curti na Sirena e em Ilha Bela. Isso só para lembrar de alguns. Hoje, estou mais para uma piscina com cerveja, caipirinhas e sambas enredos. Ah, os sambas enredos. Adoro MPB e gosto muito de samba. Nessa época, gosto de ouvir sambas enredos.

O Dudú Nobre gravou um Cd com “Os mais belos sambas enredos de todos os tempos”. O CD é ótimo! Baseado nele, resolvi colocar uma listinha com os meus mais belos sambas de todos os tempos. Vale a pena entrar no clima e curtir um pouco de carnaval. Se isso não for sua praia, pelo menos alguma recordação esses sambas hão de trazer!


Título: O amanhã
Escola: União de Ilha (1978)
Trecho: “Como será o amanhã / Responda quem puder / O que irá me acontecer / O meu destino será como Deus quiser”

Título: Atrás da verde e rosa só não vai quem já morreu
Escola: Mangueira (1994)
Trecho: “Me leva que eu vou / Sonho meu / Atrás da verde e rosa / Só não vai quem já morreu”

Título: Sonhar não custa nada! Ou quase nada...
Escola: Mocidade Independente (1992)
Trecho: “Sonhar não custa nada / O meu sonho é tão real / Mergulhei nessa magia / Era tudo o que eu queria / Para esse carnaval”

Título: É hoje!
Escola: União da Ilha (1982)
Trecho: “É hoje o dia / Da alegria / E a tristeza / Nem pode pensar em voltar”

Título: Peguei um Ita no norte
Escola: Salgueiro (1993)
Trecho: “Explode coração / Na maior felicidade / É lindo o meu Salgueiro / Contagiando e sacudindo essa cidade”

Título: Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós!
Escola: Imperatriz Leopoldinense (1989)
Trecho: “Liberdade, liberdade / Abre as asas sobre nós / E que a voz da igualdade / Seja sempre a nossa voz”

Título: Aquarela brasileira
Escola: Império Serrano (1964)
Trecho: “Vejam essa maravilha de cenário / É um episódio relicário / Que o artista num sonho genial / Escolheu para esse carnaval / E o asfalto como passarela / Será a tela do Brasil em forma de aquarela”

Título: O reino das palavras
Escola: Mangueira (1987)
Trecho: “É Dom Quixote, ô / É Zé Pereira / É Charlie Chaplin / No embalo da Mangueira”

Título: O que é bom dura pra sempre!
Escola: Gaviões da Fiel (1995)
Trecho: “Me dê a mão, me abraço / Viaja comigo pro céu / Sou gaviões levanta a taça / Com muito orgulho pra delírio da fiel”

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

"Eu prefiro ser...

"Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante" Raul Seixas

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Somos Cuba e Brasil

Ando com uma vontade de Cuba. Para ser mais específico, com uma vontade de Havana. Pudera. Meu irmão e minha cunhada só falam bem do lugar. Meu chefe já esteve por lá. Uma música presente no show “Bethânia e Omara”, chamada Havana-me (ver clip em post mais abaixo), puxa minha alma para uma visita a cidade.

Conheço pouca coisa sobre Havana mas imagino que seja mais um dos lugares únicos que vou conhecer. Único como Istambul, Amsterdã, Lisboa ou Salvador. A idéia é fazer uma visita antes que a cidade “acabe”, já que o isolamento econômico de Cuba e a eminente morte de Fidel Castro levam a crer que o sistema de hoje não perdure por mais muitos anos. Do dia para a noite uma revolução civil pode “acabar” com a cidade.

Quero passear pelas ruas, sentir o clima, visitar restaurantes e bares, fumar um cubano tomando um drink caribenho. Quero me sentir justamente com a energia que a música passa.

O New York Times dessa semana trouxe uma lista dos 31 destinos imperdíveis para 2010. Havana não está por lá, mas Istambul e a Bahia sim. Nessa mesma semana, Nizan Guanaes desfilou mais de uma dezena de twittes acabando com a capital baiana. Comparando a orla a uma favela e dizendo que a cidade perdeu seu espaço para Florianópolis. Trata-se de uma situação no mínimo estranha! Um dos maiores jornais do mundo recomendando uma cidade que um dos maiores publicitários do Brasil está detonando. Isso bem lembra a diversidade de Salvador.

Com Cuba imagino que a situação seja semelhante. A maior parte dos meus amigos devem achar que sou louco de investir qualquer US$ 100 para visitar Havana. Para a maioria, um minicruzeiro ou uma temporada em qualquer resort seria muito mais badalada. Muito mais chique! Isso é conseqüência da valorização do fácil. É mais fácil fazer um cruzeiro, passar alguns dias preso a um grande amontoado de gente, plástico e ferro com pequenas paradas para compras em balneários badalados. Na chegada mais de uma dúzia de pessoas que já fizeram isso terão assunto com você. Assuntos tão intrigantes como as novidades do free shop ou a roupa de fulana na noite de gala do capitão.

Para uma viagem a Cuba é preciso mais. É preciso uma preparação, traçar rotas, pesquisar guias, conhecer a história, entrar no clima. Buscar em Salvador a perfeição de Florianópolis é bobagem. Florianópolis é linda! Talvez uma das capitais mais lindas do Brasil. Porém pobre dela se tentar se aproximar de uma cidade que respira misticismo, crença, raça, swing, diversidade e história como Salvador. Cada um no seu quadrado.

Busque em cada lugar o que cada lugar pode oferecer de melhor. A lista do New York Times, as críticas do Nizan, ou as sugestões de amigos podem ser extremamente vagas para alguém que sabe o que quer e onde procurar. Um dia, talvez, minha opção seja passar uma temporada relaxante em algum resort, mas por ora, fico com a Bethânia que canta na pele do Brasil os encantos de Havana.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Prolongando-se...

Uau, que final de semana! Ao mesmo tempo que tudo deu errado tudo deu certo... Estranho! Estou com uma sensação tão boa, tão tranqüila, tão confiante. E isso tem nome, e sem dúvida é Audrey. Amigos, namorada e familiares têm, como uma de suas funções, nos apoiar e nos fazer bem. E isso é tão reconfortante.

Ando feliz com a chegada de 2010. Para a maior parte das pessoas que trabalham com vendas, como eu, o primeiro trimestre do ano é um pesadelo a ser vencido. As empresas investiram tudo e mais um pouco em dezembro e não pensam em novos investimentos tão já. As cobranças só aumentam e a vida torna-se uma obrigação. Mas nesse começo de ano tudo está correndo bem. Melhor do que eu previa. Negócios acontecendo, perspectivas de grandes conquistas profissionais e pessoais e um círculo de amizades verdadeiras e concretas.

A estratégia agora é seguir em frente sem olhar para trás. Fazer essa maré de sorte prolongar-se por, pelo menos, a eternidade! E isso me lembra uma música que fala justamente em deixar as coisas prolongarem-se. E como hoje é meu aniversário de namoro dedico essa música a minha namorada, a pessoa que está me mudando e mudando a minha vida. Para muito melhor!


quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Havana-me

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

E o realejo diz, que eu serei feliz, sempre feliz!

O povo é sábio. Não sei quem escreveu o samba enredo que dá nome a esse post, mas imagino que deve ter vindo de uma roda de samba, provavelmente da Lapa, onde malandros e sambistas de outrora se juntam a boêmios e sambistas de hoje para animadas composições. De resultado temos pérolas como a que vemos no título.

Porque não acreditar em um realejo? Chico Buarque, há muitos anos disse em uma canção que estava vendendo seu realejo, como algo que já trouxe muita felicidade mas que perdeu sua serventia. Afinal, quem hoje em dia vai acreditar num realejo? Bem, eu acredito. Não no realejo em si que, por imposição das mensagens que os homens colocam em sua gaveta, só traz alegrias. Mas na possibilidade de uma vida mais saudável e feliz.

A rotina, o estresse, os problemas, as contas fazem com que fiquemos cada vez mais bitolados e céticos em relação a perspectivas melhores e a uma vida mais feliz. O ser humano em geral tende a se repetir em suas ações fazendo com que aquela sensação boa de primeira vez fique cada vez mais rara na vida.

Li um texto que recebi por e-mail, provavelmente algo que já rodou por vários lugares e que já está desconfigurado pelas intervenções que vem sofrendo, mas que ainda guarda uma essência interessante. Um texto que, dentre outras coisas, diz que temos que gravar determinados momentos e acontecimentos para que eles se perpetuem na memória. E como fazer isso na prática? Simples, fotografando, compartilhando com amigos, tatuando, pintando o cabelo, escrevendo em um diário. Qualquer coisa que faça com que o momento se perpetue, vai fazer também com que a sensação se perpetue. Não devemos deixar passar em branco marcos de nossa vida.

Acho que vocês já entenderam que esse texto está servindo para um marco pessoal da minha vida. Fazia algum tempo que não publicava nada em meu blog de cunho pessoal, não sei porque. Gosto desse tipo de post, funciona como uma espécie de divã. E acho que ele veio em boa hora já que a partir de domingo meu blog estará na Home Page do portal do Jornal de Limeira.
Bem, ele vai em homenagem a Audrey, a responsável por mais um marco em minha vida. Possivelmente o primeiro de muitos.

PS: o samba em questão no título é de um compositor chamado João Sérgio. Não conheço mas fiz questão de pesquisar e publicar a autoria.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

As últimas de Caetano Veloso, em entrevista exclusiva para o Caderno 2

Cantor e compositor baiano traz de volta a SP o show 'Zii e Zie' e fala sobre Brasil, violência, eleições...

Sonia Racy, de O Estado de S. Paulo


RIO - À exceção de alguns momentos mais incisivos, Caetano Veloso deixou claro, na entrevista ao Estado, semana passada, na sede da Natasha Produções, no Rio, que a maturidade lhe subiu à cabeça. Uma boa sabedoria emerge, fácil, da sua tranquilidade interior. O posicionamento rebelde do início da carreira, que às vezes assumia as cores da esquerda, deu lugar, hoje, a um discurso racional, realista. Que nada tem, no entanto, das desilusões de quem perdeu a esperança - e isso transparece, com força, quando anuncia sua opção pela candidatura de Marina Silva. "Não posso deixar de votar nela. É por demais forte, simbolicamente, para eu não me abalar. Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem."

Sobre as mudanças propostas na Lei Rouanet, Caetano se esquiva: " Eu sou daquelas moças... não estudei direito", diz o artista que, na era da tecnologia, não usa sequer o celular, não gosta do Twitter, mas se comunica sempre por e-mail.

E cadê as novas pessoas com a força do talento de um Caetano, um Gil ou Chico? O mundo hoje é de gente pré-fabricada pelo marketing e meios de comunicação? Nada disso. Para Caetano, houve uma mudança tecnológica imensa e também desdobramentos históricos. "Fico me perguntando: aqueles pintores que ficaram famosos, foram mais sagazes em seduzir príncipes ou reis, ou eram mesmo os mais talentosos? Ou foram os que combinaram melhor as duas coisas? Ou os que tiveram a sorte de encontrar um príncipe que gostou deles? A diferença hoje passa por outros canais." E isso é bom ou é ruim? "Nem bom nem ruim, é o que é."

Caetano volta a São Paulo amanhã - por três dias - para seu show Zii e Zie, no Citibank Hall. Que depois, em 2010, transformará em turnê internacional: março pela América Latina, abril nos EUA, julho Europa e talvez Austrália e Ásia em setembro. Só ao final dele é que pensará no futuro de seu futuro. Aqui. trechos da conversa.


Como você vê o Brasil?

Acabei de ler no New York Times que, possivelmente, o Brasil é o País mais importante do mundo para o qual estão voltados todos os olhos do mundo. Não que o artigo todo seja a favor, é até crítico e contra. Mas parte do pressuposto de que o Brasil é um êxito histórico aos olhos deles, estrangeiros, muito maior do que a gente imagina. Partem do pressuposto de que o Brasil é algo grandioso e falam justamente sobre as provas de que o País não superou o que há de horrendo nele. Se referindo à derrubada daquele helicóptero por traficantes no Rio, à violência, e a uma passividade do Brasil em relação às finanças internacionais, como que dizendo que o País deveria liderar uma virada nessa questão.


E você, o que acha?

Sempre achei que o Brasil é um país com destino de grandeza e uma originalidade fatal.


O que é uma "originalidade fatal"?

Somos um país de dimensões continentais, cujo povo fala português nas Américas, com uma população altamente miscigenada... São muitos fatores estranhos... O português é considerado assim o "túmulo de espírito". O próprio padre Antonio Vieira disse isso da língua. No entanto, essas desvantagens apontam para uma originalidade enorme, que a gente pode ou não aproveitar. Então eu gosto, por exemplo, de uma entrevista do (ex-ministro) Mangabeira (Unger) no Estadão sobre a Amazônia, em que ele diz que o Brasil devia fazer dela uma experiência de vanguarda tecnológica e de desbravamento de atitudes com relação ao desenvolvimento sustentável. Uma coisa de grande ambição, experimental. Acho que essas visões é que apontam para a verdadeira vocação do Brasil. É assim que eu penso. E olhe que minha candidata à Presidência é Marina Silva.


Você já escolheu?

Pode botar aí. Não posso deixar de votar nela. É por demais forte, simbolicamente para eu não me abalar. Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é uma cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem. Mas olha, eu concordo com o Mangabeira sobre a vanguarda tecnológica e o desbravamento. Parece uma contradição? Mas é assim.


Talvez não seja. Em nenhum momento o Mangabeira fala em destruição, em uso não sustentável...

Não sei se a Marina diria dessa forma. E acho que há, sim, uma tensão da posição dela em relação à de Mangabeira, embora ela seja a minha candidata. Se ela for, voto nela, com a esperança de que ela, com sensatez que sempre demonstra, acolha a complexidade da realidade. E, no poder, seja mais pragmática que Lula. E mais elegante, o que já é.


A Marina teria condições de gerir um país deste tamanho?

Acho que ela é muito responsável e muito sensata. Se empenhar as energias para ganhar e se tornar capaz disso, ela levará a sensatez ao ponto de poder gerir. Suponho que agora ela não parece ter essa capacidade, com as coisas como estão.


Serra faria um bom governo?

Pode fazer. O Serra foi um excelente ministro da Saúde. Agora, ele é o tipo do cara que, se tivesse ganho no lugar de Lula, em 2002, teria trazido mais problemas à economia brasileira. Ele teria feito um governo mais à esquerda e a economia talvez tivesse problemas que não está tendo porque o Lula fez a economia de direita. E ouve os conselhos de Delfim Neto, que o Serra não ouviria. O Lula foi mais realista que o rei. Foi bom, a economia deslanchou.


E Dilma?

Não tenho ideia. Ela tem um trabalho de pura gestão, mas sem experiência de poder político direto. Ela nunca foi eleita a coisa nenhuma.


A Marina tem?

Ela tem. Os candidatos são todos de nível bom. Vou falar em Aécio, de quem eu gosto muito. Talvez seja meu favorito entre os gestores. Porque acho que o Serra talvez ficasse mais isolado que o Aécio. E a Dilma talvez ficasse muito presa ao esquema estabelecido de ocupação dos espaços estatais pelo governo do PT.


Qual a função do Estado no processo de desenvolvimento?

Não tenho uma ideia precisa. Simpatizo muito com a tradição liberal inglesa e anglófona. Mas não me identifico plenamente com a ideia de Estado mínimo, de liberdade para as transações.


Antes da crise econômica, você era a favor do Estado mínimo?

Não. Eu tinha uma certa raiva daquela onda de Margaret Thatcher e Ronald Reagan, embora simpatize com o liberalismo de língua inglesa. Sempre me vem à cabeça a ideia de que a Margaret Thatcher estaria dizendo algo do tipo "eu privatizaria o ar, se pudesse..." Acho que ela chegou mesmo a dizer isso, pelo menos corre a lenda a respeito. E quando eu vejo essa gente dizer que a única coisa que deve mover as pessoas é o desejo de lucro tenho vontade de me agarrar em São Francisco de Assis, entendeu?


O Estado tem que mexer na Lei Rouanet?

Não sou muito bom nesse negócio. Sou como umas moças que eram bonitas e apareciam nuas nos filmes, e tinham de ter uma opinião política. Eu sou assim. Não sei se tem que mudar. Fico com pena do leitor de jornal, quando sai assim "a excursão de tal cantora foi recusada", ou "foi aprovada", ou ainda "pode captar". Para música popular, o máximo da captação é 30%. Mas 30 % de quê? O público lá sabe o que é isso? Para música clássica, pode chegar a 100%... Mas repito: eu sou daquelas moças... não estudei direito.


Mas voltando ao Estado brasileiro, ele é eficiente?

Meu pai foi funcionário público, dedicadíssimo à sua função. Embora estatísticas provem o contrário, ele contrariava as estatísticas. Então eu tenho uma ideia de que o serviço público pode ser amado, a pessoa pode dar todo seu sangue àquilo. E que não apenas o lucro capitalista é a única motivação.


O Estado deve ser um regulador...

Justamente, a ideia é essa. Que ele seja o regulador do equilíbrio de forças. Os governos têm de se submeter à lei, para estar representando o Estado.


Mas é o problema: cumpre-se a lei?

Não, muitas vezes não. Mas esse negócio de Estado muito forte não me atrai. Acho que ele tem de ser firme, mas não tem de ser um Estado de força. A lei tem de ser nítida, obedecida por todos, em primeiro lugar por quem manda. Ele não tem de se meter, tem de regular, para criar um equilíbrio. Agora, é preciso saber se os seres humanos têm essa saúde mental para querer que as coisas funcionem assim. A vida é complicada, dolorosa, difícil, as pessoas na verdade vão para atitudes muito irracionais... Sabe quem eu acho que tem o discurso mais interessante sobre como a gente, em coletividade, se comporta e como é complicado ter esperança? Freud. Acho que Freud fala de modo mais interessante sobre possibilidades do homem como ser social, do que os marxistas e do que muitos liberais. Pessoas não podem ter esses poderes enormes.


E o que acha da América Latina? No que ela está se transformando com pessoas que têm esses poderes enormes?

Tem uma recaída num negócio que é tradicional aqui, a figura do líder populista - uma linha demagógica liderada por Hugo Chávez. Mas o interessante é que Lula tem um papel bem diferente disso. Lula é um grande líder populista, mas é mais pragmático - mesmo com essa euforia em que entrou desde a posse até hoje. Ter tido Fernando Henrique e Lula em seguida é um luxo. Saíram melhor que a encomenda, ambos.


O Rio tem um desafio, de se pôr em ordem até 2016. Vai dar?

Ele tem de conseguir alguma coisa. Eu li na semana passada, no The Economist, que um dos agravantes para o Rio é o relativo igualitarismo da economia do tráfico. A revista não dá ênfase à derrubada do helicóptero, falam é da economia do tráfico. Que os drug lords do Rio não têm aquela vida de carrões, dinheiro, mulheres... diferentemente do resto da sociedade, onde as diferenças são abissais. A gente devia atentar pra isso.


Algum dia pensou em se mudar?

Não, nunca.


A violência o assusta?

Sempre assusta, até em filmes. Mas não vivo com medo.


As pessoas perderam a capacidade de se indignar?

Não acredito muito nisso. Hoje as pessoas aceitam a violência, o Congresso com essa corrupção toda... O povo não é tolo assim. Hoje há mais exposição dessas coisas. . Então não é que as coisas mudaram, é que elas vieram à tona. Suponho que o povo percebe. Passei um ano no Rio e vi como eram as coisas, não se pode dizer que era melhor. E não se falava muito do assunto. Ele apenas veio à tona. Mas olha, vir à tona é uma melhoria.


Como você se relaciona com a tecnologia?

Sou um pouco parcimonioso. Por exemplo, não tenho celular. Nunca tive. Vivo como se estivesse em 1957. Sei que o celular veio bem depois, mas eu ajo com relação a isso como se fosse 1957. Escolhi esse ano porque é um ano que eu gosto.


E o Twitter?

Twitter não. Eu gosto muito de e-mail.


Caetano Veloso. Citibank Hall (1.450 lug.). Av. Jamaris, 213, 2846-6000. 6.ª e sáb., 22 h; dom., 20 h. R$ 80/ R$ 170

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Para ti, para mim e para todos

Paraty, no litoral sul do Rio de Janeiro, está realmente na moda. Não foi sempre assim. A história da cidade é um sobe e desce de circunstâncias que de tempos em tempos a tornam mais ou menos importante para o Brasil.

Logo no século XVII, Paraty virou sinônimo de riqueza, pois servia de despedida para os navios carregados do ouro vindo principalmente das Minas Gerais. O famoso “Caminho do Ouro” era o percurso percorrido pelos extratores que levavam as riquezas do Brasil para a Europa.

Com a decadência da extração o ouro, Paraty foi perdendo sua importância econômica e voltando ao esquecimento. Foi assim por anos. Teve uma breve sinalização de renascimento econômico no clico do café mas, com a chegada das estradas de ferro e o fim da escravidão, Paraty volta a estagnação ficando com apenas cerca de 600 habitantes, dos mais de 16 mil de outrora.

Hoje Paraty voltou a ficar na moda. A distância e o “esquecimento” fizeram com que a cidade conservasse um clima único no Brasil, talvez no mundo. Ruas calçadas a pedra quase bruta, casarões e igrejas que nos remetem a séculos passados. Uma mistura do novo e do velho capaz de juntar europeus abastados a novos hippies. Nesse ambiente de nostalgia floresce cada vez mais o improvável. A cada ano vemos Paraty inventando formas de atrair, por que não, multidões.

Chico Buarque, na última Flip – Festa Literária Internacional de Paraty –, admitiu que tomou dois calmantes para conseguir lidar com o assédio do povo. Oras, se Chico Buarque, homem acostumado a multidões, admitiu uma fraqueza como essas em Paraty, já podemos incluí-la em listas de cidades que são sinônimos de arte moderna, como é o caso de Nova York ou arquitetura, como Barcelona. Paraty hoje é sinônimo mundial sim. E de literatura.

E qual será a fórmula do sucesso de Paraty? Em minha opinião, um misto de circunstâncias e criatividade. Colocam-se as pessoas certas no lugar certo e temos um novo modelo de turismo e sucesso. Um modelo a ser copiado. Não, não. Não estou sugerindo que Limeira copie Paraty e passe a investir em turismo. Mas podemos sim pensar melhor em nós mesmos.

Sem exageros, Limeira tem uma posição privilegiada em relação a maioria das cidades industrializadas do mundo. Estamos em um dos quatro países que mais crescerão nas próximas décadas. Estamos ladeados de três das mais importantes rodovias do país. Estamos a poucos minutos do aeroporto que será o maior aeroporto de carga do país. Está na hora dos governantes e, principalmente nós, o povo, darmos a real importância que nossa cidade merece e nos colocarmos de uma vez por todas no mapa do desenvolvimento do Brasil. É desenvolvimento para ti, para mim e para todos.

>> Texto publicado na coluna Opinião (Página 2) do Jornal de Limeira de 13/8/2009.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Chico

Até hoje tudo o que eu escrevi aqui sobre Chico Buarque foi referencial. Em muitos textos cito o Chico ou uma de suas músicas para ilustrar passagens e situações que se relacionam perfeitamente com as palavras ditas pelo meu grande ídolo.

Isso mesmo, ele é o meu ídolo máximo. Aprendi a gostar da sua voz delicada, do seu jeito minimalista e principalmente, do seu texto ao mesmo tempo simples e complexo. O cara consegue passar para o papel o sentimento mais profundo da maneira mais simples. Ou então ilustrar a situação mais corriqueira de maneira totalmente nova. Uma habilidade em lidar com palavras como nunca vi.

O nome de Chico desperta alegria e traz referências de coisas boas praticamente em todos os lugares onde é citado. Ele é uma das estrelas da Flip desse ano. Seu livro novo já é “best seller” e o filme inspirado em Budapeste está na boca de todos. Isso só para falar em acontecimentos recentes.

Maria Bethânia, em seu show Maricotinha, considerado por uma importante publicação internacional sobre música como o melhor show gravado ao vivo até então, diz em um texto sobre São Paulo que o Chico foi o que de mais importante lhe aconteceu na cidade. Claro que ela se referia a “suas lindas canções e seus olhos cor do mar”.

Ainda falando em Bethânia, no show “Tempo, tempo, tempo” ela interpreta maravilhosamente bem o Samba da Benção de Vinícius de Moraes e Baden Powell esparramando bênçãos entre os mais ilustres cantores e compositores de nosso país. Nomes como o dos próprios Vinícius e Baden, Tom Jobim, Caetano, Gil e diversos outros. A platéia explode mesmo quando a cantora cita Chico Buarque de Holanda. Um momento de arrepiar.

As músicas do Chico trazem referências importantes para mim e para todos. Quem já não se sentiu “a toa na vida, vendo a banda passar”? Se eu começar a citar trechos conhecidos de canções dele vou ter que solicitar mais espaço ao meu provedor de acesso. É muita coisa. Já citei aqui que é muito difícil ter uma novela da Globo que não traga algo dele. Algumas vezes no original e outras em gravações atuais.

Um compositor ímpar, uma habilidade de articular palavras sem igual e o dom de passear livremente entre todas as classes sociais e intelectuais fazem dele, em minha opinião, o maior artista de sua geração.

Pra encerrar, vou citar um “causo” interessante que circula a aura do artista. Passado algum tempo da eleição de Fernando Henrique Cardoso, Chico compôs a música Injuriado. Muitos juravam que a música foi feita em “homenagem” a FHC, a quem Chico já havia apoiado em anos atrás antes de passar a apoiar a Lula. Diziam que Fernando Henrique havia injuriado Chico por causa da mudança de apoio a agora ele estava cantando a resposta. Quando questionado sobre a possibilidade Chico apenas perguntou se achavam que ele investiria tempo compondo para FHC.


Vejam a letra e tirem suas conclusões!

“Se eu só lhe fizesse o bem
Talvez fosse um vício a mais
Você me teria desprezo por fim
Porém não fui tão imprudente
E agora não há francamente
Motivo pra você me injuriar assim

Dinheiro não lhe emprestei
Favores nunca lhe fiz
Não alimentei o seu gênio ruim
Você nada está me devendo
Por isso, meu bem, não entendo
Porque anda agora falando de mim”


PS: como é difícil de escrever algo bom sobre uma pessoa a quem admiramos tanto. Nem preciso falar que não gostei tanto desse texto mas, de certa maneira, ele completa meu blog que estava carente de Chico.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

De todas as maneiras

O ser humano tem uma capacidade incrível de adaptação. Nos adaptamos ao amor, as amizades, aos compromissos, ao trabalho, as aulas, aos parentes e a tudo aquilo o que faz parte de nosso dia a dia.

Na verdade, acredito que a gente se acostume a isso. E como é complicado quando precisamos – ou queremos! – mudar tudo isso. O ser humano se adapta tanto a um “estilo de vida” que impõe diversas barreiras para não mudar, ainda que a olhos vistos essas mudanças sejam para melhor.

Estive nos últimos dois meses me esforçando para promover algumas mudanças em minha vida. Não é fácil, mas é necessário. Acho que estou no caminho certo. Estou me forçando a voltar a freqüentar lugares que eu não freqüentava mais, a fazer coisas que não fazia mais. Estive com amigos essa sexta e sábado e foi fantástico! Eles nem imaginam o quanto eu gostei dos programas. Uma lavagem na alma!

De todas as maneiras que existem de partirmos para um novo rumo, a melhor, sem dúvida, é através dos amigos. Como é bom contarmos com pessoas queridas. Como é bom sabermos que estarão lá. Como é bom sentar numa mesa de bar para risadas. Como é bom um aperto de mão em comemoração a uma vitória pessoal.

PS: alguns devem estar se perguntando porque um dos "tags" desse post é "Chico Buarque". Isso deve-se ao título do post, que é "chupado" do título de uma música do Chico.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Como nossos pais

Outro dia, conversando com um amigo, começamos a lembrar de todos os fatos realmente importantes que nossa geração atravessou. Essa turma que nasceu nos anos 70 ou próximo a eles.

Dentre muitas outras coisas lembramos de quatro conquistas de Copa do Mundo, da geração de prata e de ouro do vôlei, da ascensão e queda do basquete, do “bug” do milênio, do reveilon do ano 2000, da queda do muro de Berlin, do atentado ao World Trade Center, da entrada da Internet na vida das pessoas, etc, etc, etc.

De tudo isso, em minha opinião, o que mais nos influenciou foi a Internet. Gerações mais velhas que a minha, se viram obrigadas a entendê-la, em alguns casos usá-la, porém noto que a Internet não entrou em suas vidas, no dia a dia. Já as gerações mais novas, que vieram após a minha, tiveram ou estão tendo um contato tão precoce com a Internet que a tratam como algo que simplesmente existe. Assim como a TV ou o rádio são para nós.

Alguns publicitários dizem, e eu concordo, que só teremos algo realmente bom e inovador feito para a Internet quando essa geração do final da década de 90 e começo dos anos 2000 começar a trabalhar. Eles nasceram com o conceito de Internet. Não é um conceito adaptado como o nosso. Eles irão simplesmente pensar nela como ela é. Sem influências.

Não sei quanto a vocês, mas eu me autocritico diversas vezes por fazer determinadas coisas pela Internet. Mandar uma carta de amor ou amizade, fazer um convite, comentar algo com um amigo ou coisa assim. Fico me policiando para usar o telefone ou falar pessoalmente com as pessoas em determinados casos. Fico me policiando para não deixar MSN, Orkut e cia. Ltda. fazer as vezes do contato pessoal. Será que essa autocrítica faz sentido?

Duvido que uma pessoa das novas gerações vá achar estranho convidar o colega da sala ao lado para um chopp pelo MSN. Esse vai ser o jeito correto, ou melhor, o único jeito. Essa necessidade de fazer tudo com o olho no olho não vai existir. Simples assim.

Alguns dizem que as pessoas vão ser mais distantes, mais isoladas e até mais tristes. Acredito que isso seja porque estamos pensando com o nosso pensamento que já está formado para fazer as coisas como sempre fizemos. Como os nossos pais sempre fizeram. O melhor a fazer é torcer para que essa falta de contato não se transforme em um problema social e aproveitar a deixa para “ouvir” a mais do que atual “Como nossos pais”, do Belchior.


Não quero lhe falar,
Meu grande amor,
De coisas que aprendi
Nos discos...

Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa...

Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens...

Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço,
O seu lábio e a sua voz...

Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro de nova estação
Eu sinto tudo na ferida viva
Do meu coração...

Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais...

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais...

Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando...

Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem...

Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal...

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais...

quinta-feira, 26 de março de 2009

sexta-feira, 13 de março de 2009

Olha o pagodão!

Há alguns anos Maria Bethânia mudou de gravadora. Depois de circular por praticamente todas as “grandes” do setor a cantora baiana ancorou na Biscoito Fino. Sorte nossa, pois a gravadora, brasileira de nascença, prima pelo bom gosto, bom acabamento e meticulismo na produção. Dentre muitas pérolas que a gravadora lançou está o último e fantástico álbum do Chico Buarque, “Carioca”, e o memorável show de Bethânia, “Tempo, tempo, tempo”.

Quando Bethânia migrou para a Biscoito Fino, se comprometeu com alguns projetos e alguns álbuns autorais. Dois deles, lançados não há muito tempo, são homenagens às águas. O álbum “Pirata”, traz a cantora interpretando obras escolhidas a dedo que fazem referência aos rios e as águas doces. Já o álbum “Mar de Sophia” busca na obra da poetiza Sophia de Mello Breyner inspiração e versos para embalar os acordes de outras tantas músicas escolhidas a dedo e interpretadas pela cantora falando sobre o mar e as águas salgadas.

Os dois álbuns são muito inspirados. Acompanhada de verdadeiros deuses dos instrumentos, nomes como Jaime Alem (maestro constante nos trabalhos da cantora), Bethânia coloca a voz rouca e sofisticada para dar vida às águas e seus personagens. A presença de marujos, marinheiros, sereias e a própria Iemanjá é recorrente. Todas as estórias sempre passadas sobre ou ao lado das águas. Algumas faixas são tão conhecidas que têm autores desconhecidos. São cantigas populares, que de tão cantadas em determinadas regiões, caíram no “domínio público”.

Nos dois, reconheço músicas de trabalho. Em “Pirata”, duas faixas chamam a atenção: Santo Amaro e Memória das Águas. Já em “Mar de Sophia” a faixa Beira Mar é um extravaso de alegria e inspiração. Ouvindo justamente Beira Mar, em alto e bom som, entrei na portaria do jornal em que trabalho. Curtindo a sonoridade, os acordes, a voz, a letra, num verdadeiro estado de transe que chega a nos transportar do asfalto quente e seco do interior do estado de São Paulo para a beira do mar. Tudo isso foi cortado de súbito, como num susto, quando o porteiro soltou a seguinte pérola: “Olha o pagodão!”. E Bethânia merecia isso?!