De fato “Mil Perdões” em si é uma novela inteira. Baseado “apenas” nessa música e tendo como trilha “apenas” essa música, o segundo episódio de Amor em 4 atos foi arrebatador. Diálogos rápidos, passagens rápidas e romances rápidos fizeram essa história passar rápido demais. Deu um gostinho de “quero mais” que desde ontem não sai da boca.
A estrela foi Carolina de Ferraz que parece ter reencarnado a sexualidade que ela não interpretava desde que iniciou a carreira. Aliás, ela mantém um corpo de dar inveja a meninas de 25 anos! Foi gostoso vê-la traindo o parceiro de tanto que ela amava ele. Foi gostoso vê-la perdoando o parceiro por ter o traído. Só Chico mesmo é capaz de escrever – e convencer! – com a frase “te perdôo por te trair”.
Pare para pensar. A situação do relacionamento era tão ruim que a traição foi culpa do parceiro. E para uma volta era necessário que o traidor perdoasse o traído! Uma inversão de sentido que na letra do Chico faz todo o sentido. Fantástico!
Eu já tive a oportunidade de assistir ao vivo o Chico interpretando “Mil Perdões”. É apaixonante, perturbador. Foi no show de lançamento de “Carioca”, último trabalho do compositor. Aliás, hoje pela manhã aderi a campanha lançada no Twitter que pede a Globo para transformar a minissérie em 8 atos. Assunto pra isso a obra de Chico Buarque tem de sobra. Puxando rápido pela memória acredito que “Geni e o Zepelim”, “Trocando em Miúdos”, “João e Maria” e “Amor Barato” seriam boas escolhas.
De qualquer maneira esses 4 atos da Globo estão me agradando. Até pela diversidade de roteiro e forma que vimos entre o primeiro e o segundo episódio. Hoje, vamos para o terceiro e último que se desenrola por dois episódios. Depois eu conto o que achei!
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Correção
Cacá Rosset: Carlos Eduardo Zilberlicht Rosset, São Paulo, 9 de março de 1955), mais conhecido como Cacá Rosset, é um ator fundador do grupo brasileiro Teatro do Ornitorrinco[1] (juntamente com Maria Alice Vergueiro e Luiz Roberto Galizia). Seus espetáculos sempre atrairam grandes platéias[2], devido ao caráter instigante e revolucionário de suas peças, que mesclavam música ao vivo, circo e representações.
Cacá Diegues: Carlos Diegues, mais conhecido como Cacá Diegues, (Maceió, 19 de maio de 1940) é um premiado cineasta brasileiro. Foi casado com a cantora Nara Leão, com quem teve dois filhos, Isabel e Francisco. É um dos fundadores do Cinema Novo e dirigiu o videoclipe da canção "Exército de um homem só", da banda Engenheiros do Hawaii.
Eu havia me equivocado e trocado o Cacá Rosset pelo Diegues no post abaixo. É, as vezes nos confundimos um pouco! Mas sorte que temos bons amigos de olho no que escrevemos. Valeu Lic!
Cacá Diegues: Carlos Diegues, mais conhecido como Cacá Diegues, (Maceió, 19 de maio de 1940) é um premiado cineasta brasileiro. Foi casado com a cantora Nara Leão, com quem teve dois filhos, Isabel e Francisco. É um dos fundadores do Cinema Novo e dirigiu o videoclipe da canção "Exército de um homem só", da banda Engenheiros do Hawaii.
Eu havia me equivocado e trocado o Cacá Rosset pelo Diegues no post abaixo. É, as vezes nos confundimos um pouco! Mas sorte que temos bons amigos de olho no que escrevemos. Valeu Lic!
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Amor em 4 atos – Parte 1
As primeiras matérias sobre a possibilidade de a Globo gravar algo baseado nas canções de Chico Buarque deixou os fãs, como eu, extremamente curiosos. Chico, em minha opinião, é a maior inspiração artística nacional desde os idos anos 60. Com competência, personalidade e um carisma inesperado, o tímido arquiteto paulistano se tornou em uma unanimidade nacional ao compor obras como A Banda, Construção, Apesar de Você, Sabiá, Geni e o Zepelin, De todas as maneiras, Cálice, etc, etc, etc. Todas as “etc.” talvez fossem poucas para a extensa obra do músico.
A Globo, apesar de alguns deslizes, é sim uma das maiores produtoras de bom conteúdo do mundo e a única que consegue colocar na tela de forma competente atores e autores em produções 100% nacionais. Já imaginaram a imensidão de minutos de programas que já saíram do Projac empregando milhares de artistas brasileiros do front e do backstage? Palmas para a Globo, principalmente, por incluir Chico Buarque em sua produções.
Vocês sabiam que Chico e a Globo já tiveram sérias desavenças? Certa vez Chico foi convidado para estrelar um programa de auditório ao lado de Nara Leão. Claro que, com a tímida desenvoltura dos dois diante das câmeras, o programa não desenrolou. Chico, para se ver livre do fardo, “acertou” com a diretoria da emissora de inscrever uma canção no Festival de Música que a Globo estava fazendo mas que não estava tendo o mesmo reconhecimento dos antigos festivais da Record. Incomodado e chateado com a situação, Chico compôs “Carolina” de qualquer jeito e a inscreveu. Poucas vezes o compositor foi visto cantando essa música por dizer que havia sido feita “nas cochas”. Eu até que gosto da música.
Mas estou hoje aqui para falar de “Amor em 4 atos”, para ser mais exato, do primeiro ato de “Amor em 4 Atos”. Gostei bastante. Inspirado em “Ela faz cinema” e “Construção” começou meio travado mas a Marjorie Estiano, surpreendentemente, deu conta do recado e, ao lado de Malvino Salvador, convenceu na pele da protagonista. Palmas também para Caca Rosset que brilhou na pele do sírio vendedor de quitutes apaixonado pela voz da Estação Júlio Prestes. Aliás, a locação foi acertada. Realmente morar em frente a essa estação deve ser o máximo e combina perfeitamente com a letra de “Construção”, que indica ter de pano de fundo uma cidade como São Paulo.
Intrigante também foi a forma, que fugiu muito do que estamos acostumados com uma narração sarcástica alinhavava a história contada de maneira fluida e gostosa. Parecia até uma das letras do compositor. Mas uma daquelas letras suaves, sem preocupação política.
O episódio de hoje promete mais. Alinne Moraes deve mandar bem na pele de uma garota de programas que tem “Mil Perdões” como inspiração. Pra falar a verdade, eu não citei acima mas essa música é sem dúvida uma das minhas preferidas.
A Globo, apesar de alguns deslizes, é sim uma das maiores produtoras de bom conteúdo do mundo e a única que consegue colocar na tela de forma competente atores e autores em produções 100% nacionais. Já imaginaram a imensidão de minutos de programas que já saíram do Projac empregando milhares de artistas brasileiros do front e do backstage? Palmas para a Globo, principalmente, por incluir Chico Buarque em sua produções.
Vocês sabiam que Chico e a Globo já tiveram sérias desavenças? Certa vez Chico foi convidado para estrelar um programa de auditório ao lado de Nara Leão. Claro que, com a tímida desenvoltura dos dois diante das câmeras, o programa não desenrolou. Chico, para se ver livre do fardo, “acertou” com a diretoria da emissora de inscrever uma canção no Festival de Música que a Globo estava fazendo mas que não estava tendo o mesmo reconhecimento dos antigos festivais da Record. Incomodado e chateado com a situação, Chico compôs “Carolina” de qualquer jeito e a inscreveu. Poucas vezes o compositor foi visto cantando essa música por dizer que havia sido feita “nas cochas”. Eu até que gosto da música.
Mas estou hoje aqui para falar de “Amor em 4 atos”, para ser mais exato, do primeiro ato de “Amor em 4 Atos”. Gostei bastante. Inspirado em “Ela faz cinema” e “Construção” começou meio travado mas a Marjorie Estiano, surpreendentemente, deu conta do recado e, ao lado de Malvino Salvador, convenceu na pele da protagonista. Palmas também para Caca Rosset que brilhou na pele do sírio vendedor de quitutes apaixonado pela voz da Estação Júlio Prestes. Aliás, a locação foi acertada. Realmente morar em frente a essa estação deve ser o máximo e combina perfeitamente com a letra de “Construção”, que indica ter de pano de fundo uma cidade como São Paulo.
Intrigante também foi a forma, que fugiu muito do que estamos acostumados com uma narração sarcástica alinhavava a história contada de maneira fluida e gostosa. Parecia até uma das letras do compositor. Mas uma daquelas letras suaves, sem preocupação política.
O episódio de hoje promete mais. Alinne Moraes deve mandar bem na pele de uma garota de programas que tem “Mil Perdões” como inspiração. Pra falar a verdade, eu não citei acima mas essa música é sem dúvida uma das minhas preferidas.
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Mas quem será Lilian?
O Jornal Nacional da TV Globo está completando 40 anos. Já vínhamos observando homenagens diárias às afiliadas da TV ao longo do ano, mas para essa semana o JN preparou uma sequencia de reportagens especiais lembrando os 40 anos de história sob a ótica de diferentes temas: esportes, tecnologia, ciências, etc.
A história de um telejornal tão importante quanto o JN confunde-se com a história do povo brasileiro. Quem não se emocionou na segunda-feira revendo as maiores conquistas brasileiras no esporte? Senna, Guga, Scheidt, as meninas e os meninos do vôlei, a seleção de futebol, Daiane dos Santos. Todos esses e muitos outros estavam lá em imagens inesquecíveis.
Na terça-feira, ao lembrar dos 40 anos sob a ótica da tecnologia, Limeira estava presente. Em meio as lembranças dos avanços tecnológicos mais importante dos últimos 40 anos, como a chegada do álcool as bombas de combustível, a telefonia móvel, a jornada do astronauta brasileiro ao espaço, a chegada do homem a lua, a entrada dos computadores no dia a dia da população, nossa cidade foi lembrada.
Quem não viu a matéria, deve estar pensando qual foi o feito que nos colocou em reportagem especial tão importante. Terá sido uma das nossas indústrias? Seriam as inovações nas plantações de laranjas de outrora? Ou algum avanço importante no ramo de folheados a ouro? Não, nada disso. O que nos transportou para lá foi o celular. Isso mesmo, o celular!
Uma das entrevistadas do programa, que já deve passar dos seus 80 anos, comentou a respeito da grande inovação que faz com que um pequeno aparelho sem fios conecte pessoas tão distantes, assim como ela e sua filha, Lilian, que mora em Limeira. Pronto, nosso minuto de fama na semana comemorativa do JN está gravado na memória do povo brasileiro. Limeira estava lá, ao lado da Lua, no dia da tecnologia!
Temos que agradecer a Lilian que, imagino, não seja limeirense mas acabou vindo para cá por algum motivo. Quem diria que essa vinda colocaria Limeira em horário nobre na Globo, desbancando fatos importantes de nossa história recente. Fatos importantes? Mas quais? Fica aqui a dica para os leitores fazerem um exercício de memória e recordarem dos acontecimentos de nossa cidade que mereceriam estar na semana comemorativa do Jornal Nacional. Quem sabe alguém acerta na mosca e o tema é abordado em uma das últimas reportagens da série. Tomara.
A história de um telejornal tão importante quanto o JN confunde-se com a história do povo brasileiro. Quem não se emocionou na segunda-feira revendo as maiores conquistas brasileiras no esporte? Senna, Guga, Scheidt, as meninas e os meninos do vôlei, a seleção de futebol, Daiane dos Santos. Todos esses e muitos outros estavam lá em imagens inesquecíveis.
Na terça-feira, ao lembrar dos 40 anos sob a ótica da tecnologia, Limeira estava presente. Em meio as lembranças dos avanços tecnológicos mais importante dos últimos 40 anos, como a chegada do álcool as bombas de combustível, a telefonia móvel, a jornada do astronauta brasileiro ao espaço, a chegada do homem a lua, a entrada dos computadores no dia a dia da população, nossa cidade foi lembrada.
Quem não viu a matéria, deve estar pensando qual foi o feito que nos colocou em reportagem especial tão importante. Terá sido uma das nossas indústrias? Seriam as inovações nas plantações de laranjas de outrora? Ou algum avanço importante no ramo de folheados a ouro? Não, nada disso. O que nos transportou para lá foi o celular. Isso mesmo, o celular!
Uma das entrevistadas do programa, que já deve passar dos seus 80 anos, comentou a respeito da grande inovação que faz com que um pequeno aparelho sem fios conecte pessoas tão distantes, assim como ela e sua filha, Lilian, que mora em Limeira. Pronto, nosso minuto de fama na semana comemorativa do JN está gravado na memória do povo brasileiro. Limeira estava lá, ao lado da Lua, no dia da tecnologia!
Temos que agradecer a Lilian que, imagino, não seja limeirense mas acabou vindo para cá por algum motivo. Quem diria que essa vinda colocaria Limeira em horário nobre na Globo, desbancando fatos importantes de nossa história recente. Fatos importantes? Mas quais? Fica aqui a dica para os leitores fazerem um exercício de memória e recordarem dos acontecimentos de nossa cidade que mereceriam estar na semana comemorativa do Jornal Nacional. Quem sabe alguém acerta na mosca e o tema é abordado em uma das últimas reportagens da série. Tomara.
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Passar uma tarde em Itapuã
A MPB eternizou na cabeça dos brasileiros, e de muita gente pelo mundo, algumas das principais paisagens do nosso país. Li semana passada que duas entre as dez praias mais famosas do mundo, estão no Rio de Janeiro. São elas Copacabana e Ipanema.É certo que a “princesinha do mar” e a “menina que vem e que passa” ajudaram muito nessa divulgação. Garota de Ipanema é, até hoje, a música brasileira mais tocada no mundo. É bem possível você visitar um bar ou restaurante em Nova York ou Paris e se sentir no Brasil, embalado por uma dessas músicas.
A arte ajuda o turismo. O último filme de Wood Allen, Victória Cristina Barcelona, tem a cidade catalã em seu título e seu cenário. Coincidência? Claro que não! Barcelona pagou por isso. O próximo filme do diretor, muito provavelmente, será rodado no Rio de Janeiro. Tudo devidamente documentado em um contrato de divulgação. Existe forma melhor de publicidade do que colocar as belas paisagens da cidade maravilhosa nas telonas no circuito mundial de cinema?
Há muitos anos as novelas de Manoel Carlos transportam as ruas do Leblon, com os famosos “Dois Irmãos” ao fundo, para países como México, Portugal, Estados Unidos e Japão. Esses mesmos “Dois Irmãos” também já foram inspiração para a música de Chico Buarque. E aos pés do morro, Leblon e Ipanema.
Muitos artistas brasileiros já cantaram essas e outras paisagens. A Baía de Guanabara, a esquina da Ipiranga com a São João, a Baía de Todos os Santos, o Abaeté, o Corcovado, Itapuã... Ah, Itapuã! Toquinho e Vinícius já cantavam os prazeres de passar uma tarde por lá. No CD/DVD comemorativo dos 50 anos de morte (é isso?) de Vinícius, um depoimento, beirando o cômico, de um artista plástico amigo dele diz que os dois “passavam o dia em Itapuã fazendo absolutamente nada”. Dito com aquela calma baiana. Impagável!Quem sabe numa próxima viagem, não vou para lá. Vou ver o que a baiana tem! Circular pelo “Pelô”, subir e descer de Elevador Lacerda, conferir uma roda de capoeira. Se eu for, fiquem certos, meu blog vai comigo... E de lá vai trazer um pouco mais de tempero. Bem quente, do jeito que os baianos gostam!
Foto 1: Ipanema com o Morro Dois Irmãos ao fundo.
Foto 2: Itapuã.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Menú Confiança
Ontem revi um DVD que traz alguns programas Menu Confiança, da GNT. Nesse programa o chef Claude Troisgros faz uma receita que sempre é servida acompanhada de dois vinhos, escolhidos a dedo por Renato Machado. Ao final de cada episódio eles degustam o prato e escolhem o vinho que melhor combina com os sabores e aromas.O prato de ontem era um pernil de cordeiro com ervas, prato mais pesado, que Renato Machado achou interessante acompanhar por dois tintos europeus, um francês e outro espanhol. O próprio Renato ficou em dúvida na hora de escolher o melhor. Os dois eram fantásticos!
Mas o mais fantástico foi a forma que Renato escolheu para descrever os vinhos. Para o telespectador, em casa, entender o que o bouquet e o paladar dos vinhos transmitiam, ele relacionou cada um com um ambiente. O francês ele disse que era um vinho que lembrava “uma casa antiga, com móveis muito bem cuidados... um ambiente com muita madeira”. Já o espanhol disse que era “uma casa com as janelas abertas, de frente para um jardim, talvez um pomar”. E não é que conseguimos sentir cada um dos vinhos nesse momento?!
Vou me apropriar dessa técnica para uma receita. Me sinto mais a vontade com a culinária do que com os vinhos, dessa forma vou tentar relacionar a receita a um ambiente, a uma situação. Faz algum tempo que disse aqui que gostei de elogiar as pessoas. Dessa forma essa receita vai para uma pessoa muito, mas muito mesmo, especial. Ela é especialista em tudo o que é bom, formada na primeira turma de Gestão do Luxo do Brasil. Diz a lenda que ela também é especialista em risotos, mas isso eu ainda não posso atestar!
A receita de Risoto de Shiitake em homenagem a Waleska Masutti segue no post abaixo.
Esse risoto eu serviria acompanhado de um Mignon ao molho de Porto, que estou querendo testar. Mas como em meu blog me proponho a postar receitas sofisticadas de paladar, porém simples de fazer, vou ensinar por hora apenas o risoto. Quem sabe numa próxima posto o mignon.
De qualquer maneira trata-se de um prato leve, suave. Li certa vez que o risoto é algo sem personalidade. Um acompanhamento. Na verdade concordo com isso. O risoto é uma espécie de “escada”. Aquele ator coadjuvante que tem a função de levantar a bola para o protagonista matar o ponto. E essa função não o desmerece. Alguns risotos se tornaram tão sofisticados que assumiram o lugar do prato principal. Servidos apenas com uma entrada, uma salada ou algo assim. Extremamente suaves. Eles não devem perder essa característica.
Esse é um prato cosmopolita, que recomendo que seja apreciado em um apartamento em uma grande metrópole. De preferência um com uma sacada de frente para árvores, quem sabe um clube. Um ambiente que tenha móveis atuais, porém com estilo próprio. Talvez na parede um quadro moderno, pintado por algum artista contemporâneo, quem sabe alguém da família.
Junto com o risoto vamos de vinho tinto. Um português. Algo para chocar com a modernidade do prato. Um Periquita. Perfeito. Aprecie a suavidade do prato e delicie-se com a força do vinho. Se você tiver um pouco de ousadia, crie um acompanhamento para ele.
Bom apetite e boa noitada!
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Pecado Capital
Ao ler essas duas palavras é possível que os mais velhos se lembrem de Francisco Cuoco e os mais novos de Eduardo Moscovis, ambos intérpretes de Carlão, o taxista que se corrompe diante de uma mala de dinheiro na novela de Janete Clair. Ele passa a trama toda as voltas com os problemas que essa “sorte” lhe trás.
Porém o que vem a minha cabeça lendo esse título é a música homônima de Paulinho da Viola. Ao entoar os primeiros acordes da canção e soltar as primeiras palavras, não há quem resista. O primeiro verso já virou até provérbio popular. Todos concordam que “dinheiro na mão é vendaval”.
Realmente dinheiro balança a vida de uma pessoa. Já escrevi aqui, e repito, que somente conheceríamos a índole real de alguém se não existisse o dinheiro. Friso que isso se daria somente se o conceito do valor da moeda não existisse. De nada adianta bloquear bens e fechar contas em bancos para simular a ausência dele.
Por essa frase a música já pode ser considera uma obra prima da MPB. Mas, para mim, o melhor vem depois. Paulinho, após jogar na cara do sujeito as desventuras que ele enfrenta ao ter a grana em mãos, solta um reconfortante: “mas é preciso viver, e viver não é brincadeira não”, como se isso perdoasse tudo. Como se a necessidade de levar a vida, se alimentar, pagar contas, enfrentar o mundo fosse a desculpa razoável que todos precisam para querer sempre mais dinheiro. O pecado está perdoado.
Que genialidade. Que simplicidade. Através de um samba ele consegue passar uma das mensagens mais complexas do capitalismo. Isso mesmo, não estou exagerando. Tudo que há de bom no sistema de troca capitalista é crucificado e perdoado em menos de um minuto. Isso sem falar do nome da canção. O “pecado capital” que ele fala poderia ser facilmente traduzido para “pecado capitalista”. Formidável.
Se você ficou com vontade de lembrar dos acordes, aperte o “play” logo abaixo.
Porém o que vem a minha cabeça lendo esse título é a música homônima de Paulinho da Viola. Ao entoar os primeiros acordes da canção e soltar as primeiras palavras, não há quem resista. O primeiro verso já virou até provérbio popular. Todos concordam que “dinheiro na mão é vendaval”.
Realmente dinheiro balança a vida de uma pessoa. Já escrevi aqui, e repito, que somente conheceríamos a índole real de alguém se não existisse o dinheiro. Friso que isso se daria somente se o conceito do valor da moeda não existisse. De nada adianta bloquear bens e fechar contas em bancos para simular a ausência dele.
Por essa frase a música já pode ser considera uma obra prima da MPB. Mas, para mim, o melhor vem depois. Paulinho, após jogar na cara do sujeito as desventuras que ele enfrenta ao ter a grana em mãos, solta um reconfortante: “mas é preciso viver, e viver não é brincadeira não”, como se isso perdoasse tudo. Como se a necessidade de levar a vida, se alimentar, pagar contas, enfrentar o mundo fosse a desculpa razoável que todos precisam para querer sempre mais dinheiro. O pecado está perdoado.
Que genialidade. Que simplicidade. Através de um samba ele consegue passar uma das mensagens mais complexas do capitalismo. Isso mesmo, não estou exagerando. Tudo que há de bom no sistema de troca capitalista é crucificado e perdoado em menos de um minuto. Isso sem falar do nome da canção. O “pecado capital” que ele fala poderia ser facilmente traduzido para “pecado capitalista”. Formidável.
Se você ficou com vontade de lembrar dos acordes, aperte o “play” logo abaixo.
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terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Em tempos de Maysa...
...vamos de Maysa.
Conheci essa música na voz da Bethânia, no show “Tempo, tempo, tempo”. Agora vendo um pouquinho da história da Maysa, que a compôs, entendo seu significado.
Resposta
Ninguém pode calar dentro em mim
Essa chama que não vai passar
É mais forte que eu
E não quero dela me afastar
Eu não posso explicar quando foi
E como ela veio
E só digo o que penso
Só faço o que gosto
E aquilo que creio
Se alguém não quiser entender
E falar, pois que fale
Eu não vou me importar com a maldade de quem nada sabe
E se alguém interessa saber
Sou bem feliz assim
Muito mais do que quem já falou ou vai falar de mim
Conheci essa música na voz da Bethânia, no show “Tempo, tempo, tempo”. Agora vendo um pouquinho da história da Maysa, que a compôs, entendo seu significado.
Resposta
Ninguém pode calar dentro em mim
Essa chama que não vai passar
É mais forte que eu
E não quero dela me afastar
Eu não posso explicar quando foi
E como ela veio
E só digo o que penso
Só faço o que gosto
E aquilo que creio
Se alguém não quiser entender
E falar, pois que fale
Eu não vou me importar com a maldade de quem nada sabe
E se alguém interessa saber
Sou bem feliz assim
Muito mais do que quem já falou ou vai falar de mim
Vamos correr o risco da indiferença?
Ontem fui surpreendido por duas moças. Quero dizer, duas mulheres! Primeiro pelo msn uma ex-colega de trabalho disse que eu era parecido com o Ronaldo Boscoli (Mateus Solano) da minissérie Maysa. Cerca de 15 minutos depois uma amiga me mandou um e-mail perguntando: “Cris, você reparou o tanto que você é parecido com o Ronaldo Boscoli da minissérie Maysa?”.
Claro que encarei como um elogio. O Fantástico de domingo foi encerrado com uma entrevista dele. Mateus, na minissérie, “está mandando bem pra carálho”. Essa tem sido considerada uma das mais bem acabadas e mais bem sucedidas minisséries da TV Globo dos últimos anos.
Com um jeitão cafajeste, um cigarro na boca e uma lábia típica dos malandros da Lapa ele convenceu nossa heroína Maysa a eternizar alguns sucessos seus em um disco. Quem conhece um pouco mais de sua história sabe que uma das próximas vítimas será nada menos que Elis Regina. Alguns posts abaixo você pode ver que ela também gravou “O barquinho”.
Me parece que de início esse papel havia sido oferecido a outro ator. Alguém mais experiente. Mas, pelas circunstâncias da vida, veio cair no colo de Mateus, que até agora havia feito apenas algumas participações, sem grande expressão, em televisão.
Uma pessoa quando encara um desafio deste tamanho, encara também um grande risco, o risco da indiferença. Se o jovem ator não se destacasse. Se ele não conseguisse passar aos telespectadores a essência do Ronaldo Boscoli. Se o par romântico com Larissa Maciel (Maysa) não vingasse, o ator carregaria o peso da indiferença dos telespectadores, da mídia, da TV Globo. Para ele o risco valeu a pena.
Quando comentei com um amigo que eu havia sido comparado com ele e que postaria algo sobre isso em meu blog o alerta veio em tom de conselho: “Cuidado, você vai correr o risco da indiferença”. Eu, assim como ele, vou assumir esse risco. Quem sabe a Globo não me descobre e, finalmente, vou morar no Rio de Janeiro e trabalhar no Projac!
Claro que encarei como um elogio. O Fantástico de domingo foi encerrado com uma entrevista dele. Mateus, na minissérie, “está mandando bem pra carálho”. Essa tem sido considerada uma das mais bem acabadas e mais bem sucedidas minisséries da TV Globo dos últimos anos.Com um jeitão cafajeste, um cigarro na boca e uma lábia típica dos malandros da Lapa ele convenceu nossa heroína Maysa a eternizar alguns sucessos seus em um disco. Quem conhece um pouco mais de sua história sabe que uma das próximas vítimas será nada menos que Elis Regina. Alguns posts abaixo você pode ver que ela também gravou “O barquinho”.
Me parece que de início esse papel havia sido oferecido a outro ator. Alguém mais experiente. Mas, pelas circunstâncias da vida, veio cair no colo de Mateus, que até agora havia feito apenas algumas participações, sem grande expressão, em televisão.
Uma pessoa quando encara um desafio deste tamanho, encara também um grande risco, o risco da indiferença. Se o jovem ator não se destacasse. Se ele não conseguisse passar aos telespectadores a essência do Ronaldo Boscoli. Se o par romântico com Larissa Maciel (Maysa) não vingasse, o ator carregaria o peso da indiferença dos telespectadores, da mídia, da TV Globo. Para ele o risco valeu a pena.
Quando comentei com um amigo que eu havia sido comparado com ele e que postaria algo sobre isso em meu blog o alerta veio em tom de conselho: “Cuidado, você vai correr o risco da indiferença”. Eu, assim como ele, vou assumir esse risco. Quem sabe a Globo não me descobre e, finalmente, vou morar no Rio de Janeiro e trabalhar no Projac!
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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Tiro ao alvo!
Um amigo me disse certa vez que no interior do Brasil existiam fazendas com criação de saci pererê. Outro afirmou que a mãe de um conhecido estava se recuperando de uma operação na próstata. E um terceiro ainda foi capaz de jurar que a rainha-mãe da Inglaterra passou o carnaval desfilando nas escolas de samba do Rio de Janeiro!O ser humano tem uma capacidade incrível de acreditar no que mais lhe convém. Henrique VIII, rei da Inglaterra por volta do ano 1.500, foi capaz de romper com Roma e fundar o Anglicanismo acreditando em um amor eterno por Ana Bolena. Poucos anos depois, para se livrar da esposa que não lhe "servia" mais, ele acreditou piamente que ela cometeu incesto e o traiu com o próprio irmão. E com mais 100 homens! Ela, o irmão e mais uma meia dúzia de infelizes acabaram decapitados.
Desde criança somos incentivados a agir assim. A bruxa da estória da Branca de Neve acreditava no espelho que lhe falava que ela seria a mulher mais bela do mundo. Somente diante da magnitude de Branca de Neve ele se rendeu a verdade. Como uma bruxa poderia ser a mulher mais bela do mundo? Ela acreditava nisso. Nós crescemos acreditando.
Se eu continuar nessa linha, vamos ter uma longa página de relatos parecidos com estes puxados apenas pela minha memória. Mas acredito que esse post possa servir para uma espécie de reflexão. Pare e pense. Pare e olhe ao redor. Reflita. Será que em nosso trabalho, nas relações amorosas e no ambiente familiar não estamos acreditando no que mais nos convém? Será que não está na hora de sairmos da garrafa para enxergar nosso rótulo. O comodismo é uma arma engatilhada apontada para nossas cabeças. Cabe a cada um de nós evitar que esse gatilho seja puxado.
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
“Dia de luz, festa do sol”
Ontem assistindo a minissérie Maysa me surpreendi ao ver que “O barquinho” foi composta por Ronaldo Boscoli. Pesquisei um pouco mais e descobri que foi uma parceria dele com o Roberto Menescal. Que música fantástica!
Quando ouvimos, parecemos deslizar pelo “macio azul do mar” da letra. As versões mais modernas, são ainda mais embaladas do que as impecáveis originais de Maysa ou Elis. Na verdade não sei quem regravou, um homem e uma mulher, mas a música tem sido presença constante na Nova Brasil FM.
Vocês já devem ter lido em posts antigos que adorei ler o “Noites Tropicais” do Nelson Motta e conhecer um pouco mais dos bastidores da Bossa Nova e da MPB a partir da década de 60. A minissérie da Globo é mais uma oportunidade, muito bem acabada, de acompanharmos um pouco mais.
No momento, vamos de “O barquinho".
Quando ouvimos, parecemos deslizar pelo “macio azul do mar” da letra. As versões mais modernas, são ainda mais embaladas do que as impecáveis originais de Maysa ou Elis. Na verdade não sei quem regravou, um homem e uma mulher, mas a música tem sido presença constante na Nova Brasil FM.
Vocês já devem ter lido em posts antigos que adorei ler o “Noites Tropicais” do Nelson Motta e conhecer um pouco mais dos bastidores da Bossa Nova e da MPB a partir da década de 60. A minissérie da Globo é mais uma oportunidade, muito bem acabada, de acompanharmos um pouco mais.
No momento, vamos de “O barquinho".
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Caras e bundas

Não, não! Não estou fazendo jabá de “Caras”, a segunda maior receita publicitária nacional em forma de revista e nem da falida “Bundas”. Estou me referindo a invasão de mulheres que substituíram suas caras por bundas para alcançar um lugar ao sol.
Na verdade, talvez seja um pouco demais rebaixar o sol a isso. Essas mulheres talvez tenham alcançado, no máximo, um minuto ao mormaço. E em dia de céu nublado. Também não importaria grande coisa essa inversão de valores se não atingisse justamente o futuro da nação.
Programas como o Super Pop, da super Luciana Gimenez, atraem cada vez mais um exército de pequenos tarados, meninos de 12 a 17 anos, que deixam de bater uma pelada com os amigos para assistirem as peladas da vez desfilando calcinhas ou “falando” sobre filmes eróticos ou fotos sensuais.
Mulheres me perdoem, estou sendo injusto! Além de vocês, homens-heterossexuais-casados-atores-de-filme-pornô-gay também dão as bundas, quero dizer, as caras por lá! Ao lado de suas digníssimas, contando relatos interessantes, como a do rapaz que só faz filme gay no papel do passivo, pois a mulher acredita que sendo ativo estaria a traindo. No mínimo intrigante!
Na teoria de nossa amiga, está tudo liberado para vocês mulheres. Podem trair a vontade, pois a passividade da relação sexual feminina perdoa tudo.
Esses garotos que assistem a esse tipo de entrevista podem chegar a acreditar em tais absurdos. Bem faz uma amiga, mãe de dois filhos pequenos, que proibiu esse tipo de programa em sua casa.
Sou contra a censura, já que cria uma vontade que talvez não existisse, mas nesse caso talvez seja a melhor saída. Principalmente se no lugar do programa os pais conseguirem incentivar alguma atividade que atraia ainda mais a atenção dos pequenos. Se possível ainda com um pouco mais de inteligência, o que convenhamos, não é difícil.
Fica aqui o protesto: abaixo bundas! Mais uma vez - não, não! -, não estou querendo ver pelas ruas apenas mulheres com as bundas caídas. Quero vê-las com as bundas cada vez mais empinadas e bonitas, porém em seu lugar. Abaixo da cintura e, principalmente, abaixo da cara.
Na verdade, talvez seja um pouco demais rebaixar o sol a isso. Essas mulheres talvez tenham alcançado, no máximo, um minuto ao mormaço. E em dia de céu nublado. Também não importaria grande coisa essa inversão de valores se não atingisse justamente o futuro da nação.
Programas como o Super Pop, da super Luciana Gimenez, atraem cada vez mais um exército de pequenos tarados, meninos de 12 a 17 anos, que deixam de bater uma pelada com os amigos para assistirem as peladas da vez desfilando calcinhas ou “falando” sobre filmes eróticos ou fotos sensuais.
Mulheres me perdoem, estou sendo injusto! Além de vocês, homens-heterossexuais-casados-atores-de-filme-pornô-gay também dão as bundas, quero dizer, as caras por lá! Ao lado de suas digníssimas, contando relatos interessantes, como a do rapaz que só faz filme gay no papel do passivo, pois a mulher acredita que sendo ativo estaria a traindo. No mínimo intrigante!
Na teoria de nossa amiga, está tudo liberado para vocês mulheres. Podem trair a vontade, pois a passividade da relação sexual feminina perdoa tudo.
Esses garotos que assistem a esse tipo de entrevista podem chegar a acreditar em tais absurdos. Bem faz uma amiga, mãe de dois filhos pequenos, que proibiu esse tipo de programa em sua casa.
Sou contra a censura, já que cria uma vontade que talvez não existisse, mas nesse caso talvez seja a melhor saída. Principalmente se no lugar do programa os pais conseguirem incentivar alguma atividade que atraia ainda mais a atenção dos pequenos. Se possível ainda com um pouco mais de inteligência, o que convenhamos, não é difícil.
Fica aqui o protesto: abaixo bundas! Mais uma vez - não, não! -, não estou querendo ver pelas ruas apenas mulheres com as bundas caídas. Quero vê-las com as bundas cada vez mais empinadas e bonitas, porém em seu lugar. Abaixo da cintura e, principalmente, abaixo da cara.
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domingo, 13 de julho de 2008
90%
Acho que eu estava precisando de um incentivo realmente bom para voltar a escrever. Semana passada bateu na trave! Comecei a fazer meu curso de roteiro para TV e cinema. Gosto muito de escrever. Você já deve ter lido, aqui mesmo em meu blog, minha angústia em colocar para fora meus pensamentos. Esse blog foi criado justamente para isso. Porém, se você ler meus últimos posts, esses que estão logo abaixo, vai ver que são completamente diferentes dos primeiros. Não sei por qual motivo, e acredito que seja uma soma deles, nos últimos posts tendi para o lado emotivo e pessoal. Não gostei do resultado, não é isso que quero. Agora volto para falar de coisas que gosto.
Bem, o curso de roteiro está sendo o máximo! Uma realidade completamente diferente, pessoas completamente diferentes, um clima completamente diferente. Eu imaginava que seria um peixe fora d´água na turma. De certa maneira eu sou mesmo! 90% da turma conhece o que eu sei e mais 90% sobre TV e cinema. Tenho sentido um pouco de dificuldade em interagir com eles graças e isso. De qualquer maneira a turma é intrigante: 10% de publicitários como eu, 20% de alunos de comunicação, 30% de jornalistas mais 10% de pessoas relacionadas à área e o restante de curiosos. Isso falando em ocupação. Se falarmos em objetivos teremos 10% de curiosos e 90% de pessoas na faixa dos trinta que não sabem o que estarão fazendo na semana que vem.
Mas ainda não foi o curso que me motivou a voltar a escrever. Foi mais. Foi muito mais. Foi uma certa senhora que está completando 50 anos. Ou você já leu o post acima e já sabe de quem estou falando ou vai ler agora. Entre no clima!
Bem, o curso de roteiro está sendo o máximo! Uma realidade completamente diferente, pessoas completamente diferentes, um clima completamente diferente. Eu imaginava que seria um peixe fora d´água na turma. De certa maneira eu sou mesmo! 90% da turma conhece o que eu sei e mais 90% sobre TV e cinema. Tenho sentido um pouco de dificuldade em interagir com eles graças e isso. De qualquer maneira a turma é intrigante: 10% de publicitários como eu, 20% de alunos de comunicação, 30% de jornalistas mais 10% de pessoas relacionadas à área e o restante de curiosos. Isso falando em ocupação. Se falarmos em objetivos teremos 10% de curiosos e 90% de pessoas na faixa dos trinta que não sabem o que estarão fazendo na semana que vem.
Mas ainda não foi o curso que me motivou a voltar a escrever. Foi mais. Foi muito mais. Foi uma certa senhora que está completando 50 anos. Ou você já leu o post acima e já sabe de quem estou falando ou vai ler agora. Entre no clima!
terça-feira, 18 de março de 2008
Águas de março
As novelas da Globo me chamam a atenção por um motivo: quase todas trazem em suas trilhas sonoras músicas do Caetano, Gil, Chico, Tom Jobim, Vinícius... Seja em versões originais, muitas delas com mais de trinta anos, seja em músicas novas, seja em releituras dos próprios compositores ou de novos talentos que se arriscam a regravar sucessos.Para se ter uma idéia, a novela das sete da Globo traz já na abertura o Skank relendo um grande sucesso do Caetano Veloso. E não para por aí. Ainda temos na trilha Ney Matogrosso, Nana Caymmi, Jane Duboc e Paulinho da Viola. Um time de astros de ontem e de hoje. Na trilha das seis está lá o Caetano batendo ponto de novo. E às oito lá está mais uma vez o Caetano, releituras de Chico e Rita Lee, Djavan, Gonzaguinha, Bethânia e por aí vai. Isso só para focar nas novelas em cartaz hoje, e apenas na Globo.
Será que os novos talentos não estão produzindo o suficiente para abastecer esse mercado? Ou será que o público das novelas pede por lembranças de um tempo que já se foi e que deixou saudades? Na minha opinião, nem um nem outro. O mercado fonológico brasileiro é repleto de novidades e talentos. Não acredito que seja certo dizer que os profissionais de hoje não têm o talento dos de ontem. Eles têm sim. Só que o momento e a sociedade os inspiram de outra forma. Talvez nosso presidente da república, por exemplo, não inspirasse hoje nosso Chico Buarque a compor Cálice ou Apesar de Você. Talvez ele inspire apenas a composições como a Dança do Créu. Isso não é uma crítica. Citei o presidente para dar mais peso, mas as influencias vêm de toda a sociedade.
Além disso, acredito sim que nosso Chico Buarque compôs uma obra tão refinada que se tornou atemporal. Em casa, onde somos em três filhos homens, crescemos acostumados a ouvir Chico e seus contemporâneos. Até hoje eles não saem de nossas vitrolas. Digo, de nossos iPods! É gostoso por exemplo, ouvir Águas de Março e se lembrar do Tom Jobim contando que compôs a música em um pedaço de saco de pão, quando tudo estava dando errado na construção de uma casa. Tudo era motivo para a obra atrasar. E um despropósito desses nos trouxe essas águas que devem continuar a rolar por muitas e muitas novelas. Talvez um dia eu pare para fazer um estudo de quantas vezes uma música como essa esteve em trilhas sonoras da TV. No momento prefiro ficar com o doce problema do Tom que se transformou na doce canção abaixo:
Águas de março (Tom Jobim)
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
É peroba no campo, é o nó da madeira
Caingá candeia, é o matita-pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto um desgosto, é um pouco sozinho
É um estepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É um pingo pingando, é uma conta, é um ponto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manha, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
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segunda-feira, 17 de março de 2008
Todo mundo sempre dá uma espiadinha!
Todo mundo sempre dá uma espiadinha! 64 milhões de votos numa semana, 44 milhões na outra. E ninguém assiste ou ninguém gosta do programa. Nas rodas de conversa, uma hora o assunto chega: você viu o que aconteceu no Big Brother ontem? E assim vai...Com novela é sempre a mesma resposta: não tenho tempo de assistir, não sei o que está acontecendo, etc. Mas basta olhar para o índice do Ibope e a resposta está lá. 45 pontos em média, por dia, de telespectadores. Isso só na das 20h!Então, faço um apelo para as pessoas: assumam o que vocês assistem e assistam aquilo que gostem! Não é pecado e nem sinal de fraqueza assistir novelas, reality shows ou até mesmo programas jornalísticos sensacionalistas. O que vale é a nossa vontade de assistir ao programa.O Big Brother, se não tivesse audiência, acredito que não seria possível chegar até a oitava edição. Um dos programas mais polêmicos e assistidos da televisão brasileira, de acordo com o balanço divulgado pela emissora, durante a semana consegue atingir 42 pontos de média no Ibope. Há uma pequena diferença às terças-feiras, dia em que um dos participantes é eliminado, mas a variação é apenas no share - quantidade de televisores ligados em cada emissora no horário.Na terça, o share é de 61%, enquanto nos outros dias de semana é de 60%, ou seja, esta é a porcentagem de televisores do Brasil ligados na Globo.O Big Brother Brasil teve a sua primeira edição realizada em 2002. É a versão brasileira do reality show Big Brother, que teve a sua primeira edição mundial realizada em 1999 na Holanda. O nome do programa é por causa do livro 1984, escrito em 1948 por George Orwell, no qual o Big Brother (ou Grande Irmão) é o líder que tudo vê. Líder este que governa o mundo ocidental em um futuro fictício. Representado pela figura de um homem que provavelmente na trama não exista, vigia toda a população através das chamadas teletelas, governando de forma despótica e manipulando a forma de pensar dos habitantes.O BBB consiste no confinamento de um número de participantes (na maioria das edições, 14 ao todo) em uma casa cenográfica sendo vigiados por câmeras 24 horas por dia, sem conexão com o mundo exterior. Os participantes não podem falar com seus parentes e amigos, não podem ler jornais ou usar de qualquer outro meio para obter informações externas.Agora, a Record também começa a apostar nos reality shows. Mas diferentes do polêmico Big Brother. E pode ter certeza que a receita vai dar certo!
Mariele Parronchi
(Li esse texto da Mariele e resolvi publicar em meu blog. Valeu Má!)
Mariele Parronchi
(Li esse texto da Mariele e resolvi publicar em meu blog. Valeu Má!)
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domingo, 2 de março de 2008
De Nova York a São Paulo
“Sex and the city” é um seriado americano com alma feminina. Isso não me impede de gostar, e muito, das aventuras e desventuras das quatro trintonas solteironas na Big Apple. Os episódios são curtos, repletos de diálogos e humor, e tratam basicamente de relacionamento humano. A única estória que se repete, temporada após temporada, é o caso de amor entre a protagonista Carrie Bradshaw e Mr. Big. Isso mesmo, o nome real dele só conhecemos nos instantes finais da sexta temporada.Resumidamente, a apaixonada Carrie fica feliz e sofre periodicamente por uma pessoa que vem e vai dezenas de vezes entre a abertura e os créditos dos episódios. Conforme vamos assistindo a série, nos sentimos horas “Carries”, horas “Bigs”.
Estava pensando a respeito das relações humanas ainda há pouco. É incrível como, dependendo da ótica, trocamos de papel. No momento em que estamos na frente da televisão, vendo a nossa heroína prestes a abandonar a relação estável e legal que ela conquistou, para se aventurar mais uma vez com seu “big” amor, incorporamos uma raiva feroz das vezes em que estivemos na mesma posição que ela. Isso nos motiva. Isso nos faz olhar no espelho, xingar a nós mesmos, nos colocar no lugar dela e dizer: nunca mais vou deixar isso acontecer comigo! Esse ímpeto nos estimula a lançar mão do telefone, e ligar para aquela pessoa querida, que sabemos que gosta da gente, que nos faz sentir a melhor pessoa do mundo! Nesse momento mudamos de papel: de Carrie passamos à Big.
E a estória não para por aí. Depois disso, provavelmente essa ciranda vai continuar e os papéis serão invertidos sucessivamente, até porque a Carrie que atendeu a ligação de Big, vai se tornar um Big para uma outra Carrie, que de Carrie vai passar a Big, que mais pra frente volta a Carrie..., até o ponto final.
Isso me parece ser intrínseco ao ser humano. E isso não me soa como um problema. Eu já assisti a série inteira. Eu sei que no final, a Carrie pode passar a Big e o Big a Carrie! A única questão que me resta é saber se na vida real precisamos esperar passar pelas seis temporadas completas antes de chegar a conclusão óbvia. Caso a série se passasse em São Paulo ao invés de Nova York, talvez nossa estória de amor terminasse com uma linda cena de Carrie e Big de mãos dadas passeando pelo Ibirapuera ao som de Cazuza cantando:
“Amor da minha vida
Daqui até a eternidade
Nossos destinos foram traçados
Na maternidade”
E isso resumiria tudo! Simples assim.
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